Filmes brasileiros vão participar do Festival de Veneza

Obras de Bressane, Glauber e documentários nacionais estarão da 64ª edição do evento.
Mostra italiana começa na quarta-feira (29) e encerra em 8 de setembro.

Da AFP

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“Cleópatra”, de Júlio Bressane, e dois documentários brasileiros, “Andarilho”, de Cao Guimarães, e “Anabazys”, de Joel Pizzini e Paloma Rocha, participam da nova edição do Festival de Cinema de Veneza, que começa no dia 29 e dura até 8 de setembro.

Além do filme de Bressane, que será exibido fora de competição, os cinéfilos também poderão ver uma cópia restaurada de “A idade da Terra”, de Glauber Rocha. Os dois documentários brasileiros participam na seção paralela “Horizontes”.

O festival este ano vai festejar seus 75 anos de criação com a projeção de 57 filmes “surpreendentes e originais”, realizados não apenas por mestres como Woody Allen, Claude Chabrol e Ken Loach, como também por jovens talentos, segundo palavras do italiano Marco Müller, que dirige pelo quarto ano consecutivo o evento cinematográfico mais antigo da Europa.

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Abertura

O filme que vai inaugurar a mostra em estréia mundial é “Atonement”, do jovem diretor britânico Joe Wright, que conquistou a crítica há dois anos com sua adaptação do clássico “Orgulho e preconceito”. Baseado no bestseller do escritor britânico Ian McEwan, o filme conta em seu elenco com Keira Knightley, Vanessa Redgrave e James McAvoy.

Para honrar seu ilustre passado como festival atento às novas tendências e descobrir talentos, Müller viu 3.120 produções e optou por obedecer a um só princípio para a seleção dos concorrentes: o filme deve refletir o contemporâneo.

Diante da pouca participação de filmes latinos, Müller admitiu que a produção cinematográfica da América Latina neste ano foi “pouco interessante para os organizadores, que descartaram os filmes desse continente”.

“O que vimos do cinema latino-americano não tinha a qualidade que queremos para um filme em Veneza: inovador, surpreendente e original”, afirmou Müller.

“O cinema latino-americano prefere principalmente Cannes ou San Sebastián”, acrescentou. “Faz falta, de qualquer maneira, um diretor que conheça bem o continente. Eu, que sou filho de mãe brasileira, dei uns telefonemas e consegui dois documentários extraordinários, além de ‘Cleopatra’, de Bressane, incluído entre os grandes mestres”, comentou ainda.

O programa desta edição de Veneza inclui 57 filmes, dos quais 22 em competição oficial em busca do desejado Leão de Ouro, e 22, entre eles os 11 documentários da seção Horizontes, tradicionalmente a mais inovadora do festival.

Este ano, o juri, composto apenas por diretores – Catherine Breillat, Emanuele Crialese, Alejandro Gonzalez Inárritu, Paul Verhoeven – será presidido por Zhang Yimou, vencedor de dois Leões de Ouro nos anos 1990.

A premiação final acontece em 8 de setembro com um Leão de Ouro especial a ser entregue ao cineasta italiano Bernardo Bertolucci, de 66 anos.

Programação

Algumas obras falam sobre a guerra, em particular o “Redacted” do americano Brian De Palma, que participa da competição e conta o estupro e a morte de uma adolescente iraquiana por soldados americanos.

O conflito no Iraque é também o assunto principal de “In the valley of Elah” assinado por Paul Haggis, no qual um militar de carreira interpretado por Tommy Lee Jones investiga o desaparecimento de seu filho enviado para o fronte.

Os Estados Unidos estão muito presentes na competição: Wes Anderson mostra “The Darjeeling limited”, Todd Haynes vem com “I’m not there”, Tony Gilroy apresenta “Michael Clayton” e Andrew Dominik leva o seu faroeste “The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford”, em que Brad Pitt vive o lendário bandido Jesse James.

Do lado europeu, o britânico Kenneth Branagh, que participou da competição com o seu “Flûte enchantée” em 2006, agora disputa o Leão de Ouro com “Sleuth”, em que atuam Michael Caine e Jude Law, enquanto seu compatriota Ken Loach apresenta “It’s a free world”. O cinema italiano, também está muito bem representado, e conta com Andrea Porporati (”Il dolce e l’amaro”), Paolo Franchi (”Nessuna qualità agli eroi”) e Vincenzo Marra (”L’ora di punta”).