da Redação do pe360graus.com
Um grupo de policiais do Batalhão de Choque entrou, há poucos minutos, no Presídio Aníbal Bruno para reforçar a equipe que tenta pôr um fim à rebelião iniciada no último domingo (11). Mais cedo, agentes de vários batalhões da PM e de diversas delegacias especializadas da Polícia Civil, além de soldados oriundos dos grupos de ação especial – como a CIOE e o GOE – entraram na penitenciária para controlar os presos.
Um helicóptero da polícia está sobrevoando o local para dar apoio durante a operação. O secretário de Ressocialização, Humberto Viana, também está no local para acompanhar a ação da polícia.
A intenção também é fazer um cordão de isolamento, para evitar que presos dos outros pavilhões que não estão envolvidos no motim possam aderir à manifestação. Os presos rebelados estão espalhados pelo campo e pelo pátio interno, armados com paus, facas, armas artesanais e instrumentos usados para agricultura.
“Não há lugar para os presos, porque as celas de dois pavilhões foram destruídas, o rancho [cozinha], a escola, a disciplina. Eles estão sob a supervisão da PM, porque a polícia está nesse esforço coletivo para trazer a situação de volta ao normal”, disse o sargento Ricardo Lima, chefe da guarda interna do presídio Aníbal Bruno.
Andando livres dentro do presídio, os detentos brigam entre si há dois dias. Perguntado sobre quando a situação será definitivamente controlada, o superintendente de Segurança Penitenciaria, Isaac Wanderley, afirmou: “O Estado tem a obrigação de assumir o controle da unidade, o que, creio eu, será feito ainda hoje”. Ainda segundo ele, os rebelados deverão ajudar na reconstrução dos pavilhões destruídos.
OPERAÇÃO
Até agora, três presos morreram e 43 ficaram feridos, tendo sido atendidos em hospitais do Recife. Segundo peritos do Instituto de Criminalística, que entraram na unidade na noite de segunda, após uma briga, para recolher dois mortos, há pelo menos três corpos ainda dentro do presídio.
Segundo o sargento Ricardo Lima, seis pavilhões estão intactos e os internos desses blocos não estão envolvidos na rebelião. “Por outro lado, alguns pavilhões estão muito danificados e dois foram totalmente destruídos. Não temos, então, como fazer triagem desses presos, porque não há local para colocá-los, mas o diretor já está tomando as providências necessárias”, diz o chefe da guarda interna.
Apesar da confusão, muitos dos detentos conseguem se comunicar com a família, através de telefones celulares. A equipe da TV Globo conseguiu, inclusive, completar uma ligação e ouvir, numa chamada de dez segundos, as queixas de um dos presos sobre a suposta violência com que a polícia tratou os familiares, do lado de fora da prisão.”Não temos como controlar tudo, porque o efetivo é pouco e eles sempre acham uma maneira de colocar esse tipo de equipamento para dentro”, admite o sargento.
JUSTIÇA
O juiz da Vara de Execuções Penais, Adeíldo Nunes, está aguardando um relatório sobre a situação no Aníbal Bruno, para que a Justiça tome as primeiras providências. “Esse documento deve chegar às minhas mãos nesta quarta, mas podemos dizer que essa situação já era esperada, porque administrar um presídio com quase 4 mil pessoas é impossível”, diz o juiz.
Entre as questões que serão investigadas pela Justiça está a existência dos chaveiros, presos que mantêm as chaves em seu poder e detêm o controle de entrada e saída nos pavilhões. O Ministério Público de Pernambuco também deve solicitar a abertura de inquérito para apurar as responsabilidades sobre os crimes cometidos durante a rebelião.
REBELIÕES
A primeira rebelião começou por volta das 16h do domingo (11) e os ânimos foram controlados às 22h30. Nesse período, a maior parte dos presos se feriu – um total de 40 – e um deles morreu, Thiago Batista de Lima, 19 anos.
Uma nova fase de tensão e confusão começou menos de 24 horas depois, por volta das 9h da última segunda (12), sendo contida no final da manhã. À noite, por volta das 21h30, uma nova briga teve início. Mais três presos se feriram e dois morreram, vítimas de agressões de outros detentos. Os novos mortos são Marcos Michel da Silva Correia e Fábio Batista da Fonseca. Um deles foi decapitado.
A polícia trabalha com três hipóteses para o início dos motins: uma briga entre detentos depois do desentendimento com o chaveiro do pavilhão D, que estaria cobrando uma taxa dos presos para permitir que eles se isolassem com suas companheiras nos dias de encontro íntimo; o pedido de transferência de um outro detento; ou a insatisfação com a obrigatoriedade do documento específico para os parentes nos dias de visita.
O superintendente de Segurança Penitenciária, Isaac Wanderley, explicou que a medida visa evitar que ainda mais pessoas entrem no presídio já superlotado e que, portanto, a cobrança dos cartões não pode ser extinta.
O presídio Aníbal Bruno é o maior de Pernambuco, com capacidade para 1.440 detentos. Hoje, no entanto, a unidade enfrenta problemas de superlotação, porque acomoda 3.930 mil apenados.
Arquivado em: Metropolitana



Assinatura anual custa apenas R$ 54,00.









