Escada: chacina e medo em favela


Quatro pessoas foram mortas em um tiroteio que afugentou os moradores

Folha de Pernambuco
Adaíra Sene

Uma chacina apavorou e afugentou moradores da maior comunidade de Escada, na Mata Sul de Pernambuco, a favela Firmeza. Chamas e tiros vitimaram uma mulher e três homens, na noite de anteontem. Conhecida apenas como Luana, a jovem, de aproximadamente 30 anos, foi encontrada com perfurações pelo corpo. Um rapaz identificado como Edmilson, o Guru, foi encontrado com um tiro de 12 na cabeça e outros de menor calibre pelo corpo. Enquanto Cosmo Renato Neto, de 19, e um outro homem ainda não reconhecido morreram carbonizados. Várias hipóteses justificariam o atentado e o aspecto que perpassa todas elas é o suspeito: Cícero Soares da Silva. Acusado de vários homicídios nas redondezas, Ciço ou Galego, como também é conhecido na região, é o responsável pelo controle do tráfico de drogas na favela. Aproximadamente duas mil pessoas moram na Firmeza. Assustados, muitos moradores abandonaram seus lares ao amanhecer e deixaram as portas abertas para facilitar as buscas da polícia.

“Eles estavam todos encapuzados. Foi uma correria a noite toda. Por mais que ninguém fale, todo mundo ouviu. A gente não sabia o que estava acontecendo, mas ninguém tinha coragem de ir ver”. A informação de um dos moradores – que preferiu manter a identidade em sigilo – revelou o pânico de quem estava em casa e foi surpreendido pelos tiros que começaram por volta das 18h da última terça e cessaram pela manhã de ontem, com a chegada da polícia. Por volta das 6h, a delegacia do município recebeu a denúncia dos homicídios na favela. Ao chegar no local, os policiais cercaram a comunidade e saíram em perseguição ao acusado. Houve troca de tiros, mas Cícero conseguiu escapar. “A gente estava no encalço dele, junto com a PM. Caímos no rio, passamos pelo barro, entramos na mata, mas acabamos perdendo-o”, informou o comissário Edson Aroucha.

Um mandado de busca foi expedido e policiais do serviço de inteligência entraram nas casas em busca de armas e drogas. Durante as diligências foram encontradas duas munições de um revólver calibre 38, no bar do padrasto de Edmilson, que foi detido para prestar maiores esclarecimentos. Agentes da Delegacia de Homicídios levaram outras cinco pessoas para serem ouvidas. Segundo o delegado Valcir Martins, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que assumiu o comando das investigações, familiares das vítimas e testemunhas serão ouvidos. “Apesar das diversas hipóteses, partiremos do princípio de que os crimes foram motivados por conta de briga por tráfico de drogas”.

DOSSIÊ
No último final de semana, o 21° Batalhão de Polícia Militar fez uma operação na favela e apreenderam oito armas brancas e duas armas de fogo. O serviço de inteligência da PM já estava investigando o suspeito e um dossiê sobre o envolvimento do Cícero Soares no tráfico da favela e em outros homicídios já está pronto. Além disso, já estava prevista uma operação policial para deflagrar a quadrilha.