Ex-líder sérvio-bósnio é acusado de ter matado mais de 8.000 em Srebrenica.
Foragido desde 1995, ele foi localizado, preso e deve ir a julgamento em Haia.
Do G1, com agências internacionais
Radovan Karadzic, que era presidente da Sérvia durante a guerra da Bósnia, foi preso pelos serviços sérvios de segurança na noite desta segunda-feira (21), anunciou o gabinete do presidente do país, Boris Tadic.
“Karadzic foi localizado e preso”, diz o comunicado. Segundo o documento, ele foi levado ao juiz de instrução do Tribunal de Crimes de Guerra de Belgrado.
O fiscal do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Serge Brammertz, confirmou a prisão. Ele disse que a tranferência de Karadzic para Haia, onde deve ser julgado, será feita “no seu devido tempo”.
Karadzic, de 63 anos, foi líder dos sérvios da Bósnia durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 95.
Ele havia sido condenado por crime de guerra pelo Tribunal Penal Internacional em julho de 1995 por ter autorizado o ataque a civis durante o cerco de 43 meses a Sarajevo.
Karadzic tem ainda uma condenação por genocídio por, meses mais tarde no mesmo ano, ter organizado o massacre de cerca de 8 mil muçulmanos no enclave bósnio de Srebrenica. O crime é considerado a pior atrocidade ocorrida na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ele também é acusado de ter usado 284 soldados das forças da ONU como escudo humano quando o exército sérvio-bósnio temia, entre maio e junho de 1995, um ataque das forças da Otan.
Karadzic estava em paradeiro desconhecido desde 1995, quando perdeu o poder. As tropas internacionais na Bósnia tentaram em várias ocasiões localizá-lo e prendê-lo nas regiões montanhosas do leste da Bósnia, onde se supunha que ele estivesse.
Em várias ocasiões, fizeram buscas em casas de suspeitos de integrar uma “rede de apoio” a Karadzic e a outros acusados.
Ao longo dos últimos anos, o Tribunal Penal Internacional havia se queixado constantemente da “falta de cooperação” das autoridades sérvias para capturar o ex-líder e também o seu “braço direito” militar, o comandante Ratko Mladic, ainda foragido.
A prisão de Karadzic e de outros criminosos de guerra e sua entrega para julgamento pela Corte de Haia era uma das principais condições impostas à Sérvia para sua entrada na União Européia. Um porta-voz do bloco disse que a captura é um “marco” nas aspirações da Sérvia à União Européia.
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