da Agência Adital
No dia 12 de abril de 1964, Dom Helder Camara chegava a Pernambuco para exercer o cargo de Arcebispo de Olinda e Recife. Na tarde desse dia, a comunidade da região o recebia no centro da cidade, para assistir seu discurso de posse. Dom Helder permaneceu no cargo durante vinte anos.
No ano em que o Brasil comemora o centenário de seu nascimento, a comunidade pernambucana celebra, no próximo dia 12, Domingo de Páscoa, os 45 anos da chegada do arcebispo à Recife. O Instituto Dom Helder Camara, que organiza a celebração, convidou diversos movimentos populares e entidades ligadas ao Dom, para juntos testemunharem os ensinamentos daquele que foi considerado o Profeta da Paz.
À frente da organização deste evento, intitulado “Dom de Deus, a que vieste?”, o Padre Reginaldo Veloso esclarece que este título foi pensado como uma pergunta que será respondida durante a comemoração. O roteiro da celebração foi baseado no discurso de posse de Dom Helder.
Durante o evento, participantes darão seu testemunho de vida de acordo com os tópicos pregados pelo Dom profeta. Dom Helder chegou ao Recife no período da Ditadura Militar e militou em favor de perseguidos e presos políticos. Uma de suas principais causas era combater a fome, a miséria e a injustiça.
Para o advogado Marcelo Santa Cruz, Dom Helder foi a pessoa mais marcante do século passado, já que ele sempre esteve empenhado na luta pelos direitos humanos. “Ele teve uma visão profética”, diz o advogado referindo-se à campanha “Ano 2000 sem miséria”, criada naquela época por Dom Helder.
Marcelo esclarece que ainda existindo miséria, Dom Helder acreditava que, ao menos na agenda dos governantes, existiriam programas de combate à fome, como é o caso do Programa Fome Zero, Segurança Alimentar, entre outros.
Na tarde do Domingo de Páscoa, dia da comemoração, Marcelo testemunhará a importância de Dom Helder na sua vida. Ele foi caçado pelo código 477, que afastava da universidade, durante 3 anos, os estudantes que se envolvessem em lutas políticas.
Além disso, sua irmã foi torturada pelos militares e ficou presa por um ano. Ele diz que o Dom prestava serviço de solidariedade às pessoas torturadas e, que graças ao seu manifesto contra a cassação de estudantes, muitos puderam se defender da perseguição política.
Para padre Reginaldo, a memória de Dom Helder continua viva na cidade e na comunidade. Ele informa que muitas pessoas visitam o túmulo de Dom Helder Camara na Igreja da Sé, em Olinda, e outras visitam a Igreja das Fronteiras, em Recife, onde o arcebispo viveu.
O evento não é missa, nem celebração litúrgica oficial da igreja. É uma celebração livre, aberta, bem popular. Quatro músicas de Geraldo Vandré farão parte da trilha sonora da comemoração. Qualquer pessoa de fé, sendo cristã ou não, pode participar deste ato ecumênico, esclarece o articulador.
Serviço:
• Evento: Dom de Deus, a que vieste. Celebração dos 45 anos da chegada de Dom Helder Camara ao Recife
• Dia: 12 de abril de 2009 (Domingo de Páscoa), às 15h.
• Local: Quadra do Colégio Salesiano Sagrado Coração. Acesso pela Rua Joaquim Ignácio, no bairro da Ilha do Leite – Recife – PE
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