Tiago Cisneiros
da Assessoria de Imprensa da UNICAP
A Arquidiocese de Olinda e Recife e as Dioceses de Afogados da Ingazeira, Nazaré da Mata e Palmares irão concentrar o processo de formação dos seminaristas na Universidade Católica de Pernambuco. A iniciativa, que partiu do Arcebispo Dom Fernando Saburido, abre espaço para que os interessados em se tornarem padres possam cursar Filosofia e Teologia na instituição, a partir do primeiro semestre de 2010.
De acordo com o Reitor da Católica, Padre Pedro Rubens, a novidade representa a possibilidade de resgatar a tradição do Recife na teologia e na filosofia. “Ao unir forças, pretendemos tornar a cidade um centro de referência na formação do clero, aprimorando, ainda mais, os nossos cursos na área”, destaca.
Para o Reitor, a Universidade, também, ganha força com a chegada dos seminaristas, tanto pelo reconhecimento da qualidade institucional, quanto pelas perspectivas de mudanças e melhorias. “Trata-se de uma notícia muito boa para a Católica, porque revela a visão positiva do nosso trabalho na Arquidiocese de Olinda e Recife e nas Dioceses do estado. Acredito que os dois pontos fundamentais para o surgimento da ideia tenham sido a tradição e o reconhecimento dos nossos cursos no Ministério da Educação”, afirma.
A mudança para o ambiente universitário, avalia Padre Pedro Rubens, contribuirá para a formação dos seminaristas. “Agora, eles vão estudar junto a estudantes das demais áreas do conhecimento, aproximando-se da sociedade, dos lugares tradicionais de formação. Outra característica importante é que estarão em contato com a visão crítica proposta pela Universidade, além de poderem aproveitar a própria qualidade acadêmica dos cursos.”
Para receberem os seminaristas, os cursos de Filosofia e Teologia da Católica terão novidades nos horários e matrizes curriculares. Veja as informações a seguir, na síntese das entrevistas com os respectivos coordenadores, Karl-Heinz Efken e Cláudio Vianney.
Palavra dos coordenadores
Os cursos de Filosofia e Teologia são oferecidos, normalmente, no turno da noite. Devido à chegada dos seminaristas, ganharão uma nova turma, no período da tarde. A mudança deve-se a uma tentativa de adequação à rotina dos futuros estudantes.
Com a criação da turma diurna, o coordenador de Filosofia, Karl-Heinz Efken, pretende reduzir o tempo de graduação para seis semestres (atualmente, são oito). “As aulas à noite terminam ficando um pouco apertadas. Com o turno da tarde, poderemos aproveitar até cinco horários de aula por dia, diminuindo a duração do curso”, argumenta.
No tocante ao conteúdo, não se planejam grandes alterações. Segundo Karl-Heinz, as disciplinas continuarão seguindo as diretrizes curriculares do Ministério da Educação, adquirindo, apenas, uma orientação de diálogo com a Teologia. “O que se quer na formação dos padres é a conexão entre essas duas áreas do conhecimento.”
O coordenador considera importante a opção de formar seminaristas em um ambiente universitário, como meio de oferecer amplitude na experiência de vida. “Aqui, eles poderão dialogar, trocar ideias, conviver com alunos de outras áreas, se envolver com a multiplicidade de cursos e eventos de pesquisa e extensão. Depois, nas paróquias e pastorais, vão precisar dessa vivência para guiar a diversidade de opiniões e interesses”, observa.
O curso de Filosofia da Católica receberá seminaristas de Olinda e Recife, Afogados da Ingazeira e Nazaré da Mata. Além desses municípios, a graduação em Teologia terá estudantes de Palmares e do Instituto Sede Sapiencia.
O curso de Teologia não sofrerá mudanças no tempo de duração, mantendo-se os oito semestres regulares, tanto no turno da tarde, quanto no período noturno. Por outro lado, apresentará modificações nas disciplinas e conteúdos. Para elaborar a nova matriz curricular, formou-se uma comissão, composta pelo coordenador da graduação, professor Cláudio Vianney, e pelos representantes do Instituto Sede Sapiencia, Frei Sales, e do Seminário Arquidiocesano de Olinda e Recife, Padre Cícero.
A nova matriz curricular, de acordo com o professor Cláudio Vianney, seguirá não somente as diretrizes do Ministério da Educação, mas também aquelas propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “A orientação da CNBB não trabalha em cima de disciplinas específicas, mas, sim, de campos, ideias e eixos temáticos”, esclarece.
Para o coordenador, a acolhida dos seminaristas pela Católica pode ser encarada como um passo de crescimento para os cursos de Filosofia e Teologia. “Passaremos a ter mais alunos e nos tornaremos uma referência, ainda, maior em Pernambuco. A nossa ideia é ampliar esse reconhecimento para o Nordeste e o Brasil”, revela.
Sobre os benefícios aos seminaristas, opinou: “Com a mudança, eles terão a vantagem de aproveitar a estrutura da Católica. Estou certo de que isso vai melhorar a sua formação, graças ao convívio com pessoas de outras áreas e rotinas diferentes”. Vianney defendeu, ainda, que a academia é um lugar tradicional para o estudo da Teologia, recordando que as universidades surgiram, na Idade Média, a partir dos cursos da área.
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