Militante sem-teto da Cohab estuda medicina em Cuba


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Décimo-primeiro de uma família de 14 irmãos e filho de motorista, Paulino Máximo dos Santos Filho estudou no Colégio Estadual F. Pessoa de Queiroz e agora está no terceiro ano da Faculdade Latino-americana de Medicina (Elam), de Cuba.

JOSÉ AMBRÓSIO

Nascido em berço bastante humilde, ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) do Cabo de Santo Agostinho está a meio caminho de realizar um sonho de infância que chegara a arquivar na adolescência, ao compreender as enormes dificuldades que seus pais enfrentavam para criar a prole de 14 filhos: obter o diploma de médico para poder cuidar de pessoas pobres, que como seus familiares, não têm plano de saúde e enfrentam sérios problemas para ter acesso a atendimento médico.

Aos 25 anos de idade, Paulino Máximo dos Santos Filho trocou a Vila da Cohab por Santa Fé, na Região Metropolitana de Havana (Cuba), e está no terceiro ano de medicina na Escola Latino-americana de Medicina (Elam), reconhecida internacionalmente pela qualidade dos profissionais que forma.

Ele foi beneficiado por um programa do governo socialista de Cuba que anualmente concede 100 bolsas a brasileiros selecionados a partir de movimentos sociais e partidos de esquerda. Integrante do MTST, Paulino acabou sendo selecionado após exames médicos e testes de conhecimentos. “O sonho de menino era impossível. Com o salário de motorista, meu pai precisava criar 14 filhos”, recorda Paulino, já elaborando grandes projetos para quando concluir o curso.

BRASIL PERDE – Os seus estudos, realizados no Colégio Estadual F. Pessoa de Queiroz, na Cohab, não representaram problema para os exames de seleção e mesmo para a faculdade. “Meus conhecimentos foram suficientes”, diz, explicando que antes de ingressar na faculdade os estudantes de outros países (latino-americanos e agora também africanos) passam seis meses em curso de nivelamento.

Aproveitando os últimos dias de férias junto a familiares e amigos (retorna nesta segunda-feira (3), Paulino diz que espera poder iniciar seu trabalho profissional no Cabo de Santo Agostinho logo após a formatura, por volta de 2010. Até lá, espera que o governo brasileiro já esteja reconhecendo o diploma dos médicos que se formam em Cuba, que são muitos. Há projetos que defendem o reconhecimento em tramitação no Congresso Nacional.

“O Brasil perde bastante com o não-reconhecimento, até porque, são em geral grandes profissionais reconhecidos e requisitados mundialmente”, considera. Ele diz que alguns já atuam no país, por força de liminares.

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