Artigo: Ninguém chorará mais por Jadinete


DOUGLAS MENEZES

Ninguém chorará mais por Jadinete, nem por Wesley, nem por Rafael, a não ser os parentes e amigos mais próximos. Eles são recentes vítimas da cruel, imbecil e canalha guerra civil que vivemos aqui em nosso país entre cidadãos de bem e bandidos ou irresponsáveis que teimam em ceifar a vida de inocentes.

O comum, nas três mortes, é o fato de as vítimas não terem tido o mínimo de possibilidade de defesa. Morreram simplesmente porque estavam nos lugares “errados”: uma parada de ônibus, uma sala de aula, menino de apenas onze anos, pernambucano por sinal, e uma via em um túnel interrompido no momento para veículos. E não adianta o governador do Rio pedir desculpas ao pai do garoto, pois a vida não será devolvida, nem será mitigada a dor sem fim da qual padece a família do menino. Esse impasse tem que ser resolvido no
Brasil.

A violência não é uma questão de algumas mortes a menos, em relação ao ano anterior, mas algo que diz respeito, e muito, à política de segurança do país como um todo.

A banalização da vida no Brasil chega às raias da barbárie. Os fatos hediondos se sucedem e logo são esquecidos como alguma coisa comum, como beber um copo d’água, por exemplo. Eles passam para que surjam outros mais perversos e chocantes, e nada acontece a nível de solução definitiva.

É claro que a implantação de políticas sociais é importante: o investimento na Educação e a geração de empregos e a consequente melhor distribuição de renda são elementos fundamentais para a diminuição dos índices de violência.

Mas isso só vai ocorrer a longo prazo. O problema maior da criminalidade é o cotidiano, o momentâneo, o dia-a-dia. Pois as vidas perdidas não são renovadas. As pessoas saem de casa sem saber se voltam, este o grande dilema que autoridade nenhuma resolve.

Então, torna-se pertinente, a colocação da jornalista Marisa Gibson, do DP, que questiona, com propriedade, a omissão do governo federal no tocante ao tema. O problema da segurança nos dá a sensação que é algo de
responsabilidade dos estados e municípios, quando a força maior para resolvê-lo deve partir da União. Com efeito, assaltos a bancos ou a grandes empresas possuem ramificações com o crime organizado, sendo quase impossível estados e municípios darem solução a esses problemas com o pouco poder de fogo que possuem.

Portanto, já está na hora dos senhores candidatos à presidência da República colocarem a questão como política de Estado, com um Ministério que cuide exclusivamente da segurança, servindo ao dia-a-dia do cidadão. Talvez assim, choremos menos nossos mortos, e passemos a valorizar mais a

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2 respostas para Artigo: Ninguém chorará mais por Jadinete

  1. Todo meu respeito a dor da Cissa Guimarães.
    Uma dor imensurável a de perder um filho, principalmente tão jovem e de forma tão estúpida.
    Mas conhenhamos… o q um guri de 18 anos estava fazendo à 01:50h de uma terça-feira, andando de skate numa via onde é proibido tráfego de pedestres e skatistas?
    Segundo li, o motorista não furou o bloqueio; entrou no túnel por um desvio (desvio este que deveria tb estar bloqueado se a via iria passar por manutenção. Não estava.)
    E serei sincera. Neste horário, um bando de moleques andando de skate no meio da pista, se eu por uma infelicidade chegasse a atropelar um deles, não sei se iria parar para socorrer…
    Saberia eu se os garotos eram apenas boyzinhos ou faziam parte de alguma gangue ou coisa parecida?
    Sim, pq neste horário, nesta idade, em dia de semana, meus filhos estão bem acomodados em seus quartos e sob meus cuidados! E não perambulando por aí fazendo o que não se deve….

    Morte estúpida! Morte estúpida……….

  2. Rosilda Frieldman disse:

    Senhora Michele, na condição de mãe eu peço a Deus para nunca sentir tamanha dor, a dor das mães e pais que perdem precocimente seus filhos para violência, para o trânsito, para as drogas e todos esses males que assolam a sociedade contemporânea.
    Não entendi, melhor, não concordo com o seu pensamento quando diz que rapazes, “moleques” que andam de skate nas madrugadas durante a semana estão fazendo o que não deve. O que não deve ser feito são coisas ilegais, e ao que se sabe, andar de skate na madrugada ñ é ilegal, o erro foi usar uma via imprópria para pedestres… Mas nada de mais em relação ao horário, pois as pessoas agem de acordo com seus ritmos de vida.
    Deixo aqui minha solidariedade a Ciça Guiarães e a todas as mães anônimas que tanto sofrem e vão sofrer por terem perdido seus filhos.

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