Crianças do Nordeste são mais solitárias, diz estudo


O resultado da pesquisa é baseado nas respostas de 9.149 pais e educadores de todo o Brasil

Priscilla Aguiar – Folha PE

No período em que está fora da escola, Lucas Manoel Limeira Tavares, de 6 anos, costuma jogar video-game, assistir televisão ou brincar com os seus carrinhos e bonecos. Uma ou duas vezes por semana, ele tem a companhia do primo mais novo, mas, na maioria das vezes, encontra sozinho a melhor forma de se distrair.

De acordo com um estudo inédito realizado no Brasil, foi identificado que, assim como ele, 14% das crianças do Nordeste passam parte do tempo sozinhas, sendo definidos por pais e educadores como solitárias. A pesquisa ouviu 9.149 pessoas. Em contrapartida, as entrevistas indicam que 80% dessas crianças são mais gentis em comparação a outras regiões do País.

“Estas mesmas crianças que são solitárias, também são muito mais gentis com os colegas. Em outras regiões, as crianças podem ter mais amigos, ser mais sociáveis e também ser bem encrenqueiras”, destacou o psicólogo Mauro de Almeida, do Instituto Glia. O estudo faz parte do “Projeto Atenção Brasil” e será debatido no III Congresso Aprender Criança, que será realizado nos dias 6, 7 e 8 deste mês, no município de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A pesquisa, coordenada pelo Instituto Glia, com colaboração da Universidade de São Paulo, La Sapienza de Roma e do Albert Einstein College of Medicine de Nova York, é baseada em entrevistas feitas com pais e educadores de todo o País para identificar fatores de risco para a saúde mental de crianças e adolescentes.

Em comparação com os índices de Saúde Mental do restante do Brasil, o estudo revelou ainda que 40,9% das crianças e adolescentes do Nordeste têm sintomas emocionais e 15,1% apresentam um risco de terem ou desenvolverem transtornos mentais. No Sudeste, foi registrada a frequência de sintomas emocionais de 36,9% e 14,2% de risco de transtornos mentais. Para o psicólogo Mauro de Almeida, é importante que, cientes dos dados, os pais tomem medidas para previnir o desenvolvimento destes transtornos.

“Isoladamente, isto não significa muito. Porém, com a identificação dos fatores de risco e proteção para a saúde mental das crianças, é possível reduzir estas possibilidades. Você pode trabalhar a socialização dessa criança. Torná-la mais aceita dentro do grupo e, ao mesmo tempo, fazer com que ela aceite os outros. Isto ajuda a desenvolver tolerância à vontade dos outros antes de impor as suas e dizer que, se não for como escolheu não quer ou não brinca”, frisou o psicólogo.

Para compensar a falta de outras crianças dentro de casa, a advogada Renata Firmo Alves, de 26 anos, resolveu matricular a única filha, Maria Luiza Alves de Andrade, na escola quando ela tinha 1 ano e meio. “Ela entrou na escola cedo justamente por ser sozinha. Nos dois primeiros anos, não foi tão fácil, mas a escola e a convivência com outras crianças ajudou ela a aprender a dividir as coisas”, lembrou.

Segundo ela, a filha, hoje com 5 anos, ainda brinca bastante sozinha, mas não tem problema em socializar e nem dividir brinquedos. “Por ser filha única, ela aprendeu a brincar sozinha. Ela gosta muito de assistir a filme e de ter os bonecos do filme. Então, ela costumar brincar muito com os bonecos dos personagens enquanto assiste a eles”, ressaltou.

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