O fácil discurso ético nas eleições


O povo é iludido facilmente, muito pela sua aversão à política, quando deveria na verdade ser à politicagem, o câncer da política, se tornando assim refém do próprio preconceito

Jairo Lima

Há vinte e cinco séculos, filósofos gregos já faziam menção a ética, que certamente continuará sendo pauta nas mais variadas ocasiões das relações humanas, por ser ela uma característica inerente a todo ser. Todos nós possuímos um senso ético, tipo de consciência moral, que nos faz julgar e avaliar constantemente as nossas ações, para assim sabermos o que é certo e o que é errado, bom ou mal ou se justas ou injustas.

Talvez por essa força latente e incontrolável entrar sempre em ebulição em cada um de nós, convidando-nos a responsabilidade sobre os nossos atos, o tema “ética” chega com mais vigor num período eleitoral. E não seria para menos, afinal de contas, boa ou ruim, é a ação política quem define as relações sociais, onde a ética, presumimos, deve prevalecer nos interesses coletivos e individuais dos cidadãos. No capítulo da ética sob os interesses individuais, especialmente na política eleitoral, esse assunto assume especialmente outros contornos.

A partir de agora, se você eleitor, anotar quantas vezes a palavra ética será defendida ou cuspida nos comícios, guias eleitorais de rádio e TV, inauguração de cemitério, batizados e afins, certamente não sobraria espaço em branco num caderno de cem folhas.

Mas porque a ética é tão reverenciada nesse curto período, inclusive por aqueles que não têm o mínimo de pudor em mostrar-se relapso com ela?

Ora, porque fazer, do ponto de vista da execução de atividades inerentes a um ocupante de cargo público, não é tarefa das mais difíceis, o que deixa todo mundo numa certa vala comum, fazer qualquer um faz. Se bem que alguns são preguiçosos mesmo e alguns outros incapazes, em virtude da própria lerdeza inata, restrição intelectual ou mesmo puro desvocacionamento.

Daí todos os políticos, como num passe de mágica, se tornam éticos, por saberem o valor e peso que tem essa palavra nesse momento eleitoral. Evocar valores éticos de maneira banal, ajuda a confundir o eleitor. É puro merchandising maquiavélico. Não importando o modus operandi. É preciso apenas repassar a mensagem de que é santo e que se dane a prática verdadeiramente ética!

O povo é iludido facilmente, muito pela sua aversão à política, quando deveria na verdade ser à politicagem, o câncer da política, se tornando assim refém do próprio preconceito. Mas também por favorecer muitas vezes a essa cultura antiética, aceitando trocar o voto por uma cesta básica, uma prótese dentária ou um saco de cimento, esquecendo que a fome volta e a dentadura sem ter o que mastigar, não conseguirá esboçar sequer um sorriso amarelo diante da acanhada reforma na calçada, onde o mesmo padrinho político só voltará a pisar quatro anos depois.

Jairo Lima é pós-graduando em gestão pública e membro da Academia Cabense de Letras

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Uma resposta para O fácil discurso ético nas eleições

  1. M. Carlos disse:

    Essas verdades doem, é preciso que sejam ditas. O povo precisar acordar!

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