Rio pode ter usina para transformar o lixo dos cariocas em energia elétrica



Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe) começa a elaborar a proposta de construção de uma usina para transformar o lixo da capital fluminense em energia elétrica. O anúncio foi feito hoje (17) pelo coordenador técnico do projeto e pesquisador do Coppe, Luciano Basto, durante a assinatura do convênio entre o instituto e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb).

Com o acordo, pesquisadores das duas instituições vão analisar a viabilidade técnica e ambiental da instalação de uma unidade de tratamento no bairro do Caju, na zona portuária da cidade, por onde passa metade do lixo produzido pelos fluminenses. Luciano Basto acredita que o estudo, com o cálculo de custos e identificação de tecnologia, seja entregue à prefeitura do Rio em dois meses.

“O investimento pode ser até mais caro do que as tradicionais soluções para destinação de lixo e oferta de eletricidade. Mas como lixo é um combustível a custo negativo, pelo qual a sociedade paga para se livrar do problema, e o tratamento energético do lixo evitaria emissões de gases de efeito estufa, essas receitas adicionais podem ser contabilizadas como benefícios para esse tipo de aproveitamento energético”, estimou o pesquisador.

Basto disse ainda que o aproveitamento energético seria de 100%, considerando que a usina será instalada dentro da cidade, diferente, segundo ele, das hidrelétricas que atendem 80% da matriz energética do país. Por estarem distantes dos grandes centros urbanos, as hidrelétricas registram perda de cerca de 15% da eletricidade gerada.

Atualmente, o Rio de Janeiro produz 9 mil toneladas de lixo por dia. Os detritos são encaminhados a três estações de transferência da cidade: Caju (zona portuária), Irajá (zona norte) e Jacarepaguá (zona oeste). Dessas estações, o lixo é transportado para dois aterros sanitários.

A usina na estação do Caju, que recebe o maior volume de detritos da cidade, poderia chegar a 500 megawatts de potência instalada. Pelos cálculos do Coppe, a transformação de 9 mil toneladas de lixo em energia seria suficiente para abastecer 1,5 milhão de residências, com consumo médio de 200 quilowatt-hora por mês.

A presidente da Comlurb, Ângela Nóbrega Fonte, garantiu que a empresa vai fornecer todo o material para os estudos e espera abrir o processo de licitação para a construção da usina em seis meses. “Além do que já temos feito no aterro [sanitário] de Gramacho, minimizando a emissão de gases de efeito estufa, e em Seropédica, onde será construído um aterro sanitário controlado com licenciamento ambiental, essa novidade é muito importante para a população. Isso vai trazer mais recursos para a cidade e o meio ambiente vai agradecer”, comemorou Ângela Nóbrega.

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Uma resposta para Rio pode ter usina para transformar o lixo dos cariocas em energia elétrica

  1. Jairo Lima - Movimento Eco-vida disse:

    Reação
    Para organizações ambientalistas como o Greenpeace, no entanto, a incineração, mesmo bem controlada, oferece riscos. “As emissões tóxicas,
    liberadas mesmo pelos incineradores mais modernos, são formadas por três tipos de poluentes perigosos para o ambiente e para a saúde humana:
    os metais pesados, os produtos de combustão incompleta e as substâncias químicas novas formadas durante o processo de incineração. Nenhum
    processo de incineração opera com 100% de eficácia. Os metais pesados, como chumbo, cádmio, arsênio, mercúrio e cromo, não são destruídos
    durante a incineração, e são freqüentemente liberados para o ambiente em formas até mais concentradas e perigosas do que no lixo original.

    Equipamentos de controle de poluição podem remover alguns desses metais das emissões, mas mesmo os mais modernos não eliminam com
    segurança todos eles. No mais, os metais pesados não desaparecem, são transferidos para as cinzas ou para os filtros, que acabam
    posteriormente sendo aterrados”, atesta o documento “Incineração não é a solução”, produzido pela ONG.

    Saúde
    A NIOSH informa que, conforme os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite tolerável de ingestão mensal de dioxinas e
    furanos é de 70 pictogramas por quilo de peso do indivíduo, o que equivale a 70 trilhonésimos de parte por quilo. De forma geral, pesquisas
    científicas, e levantamentos comunitários e técnicos associam os impactos da incineração ao aumento das taxas de câncer, a doenças
    respiratórias, a anomalias reprodutivas (como má formação fetal), a danos neurológicos e a outros efeitos sobre a saúde — em casos de
    exposições a metais pesados, a organoclorados e a outros poluentes liberados por incineradores.

    Já os limites de emissões de dioxinas e furanos variam de 0,1 nanograma de toxicidade equivalente por metro cúbico (TEQ/m3), na Europa, a 5
    nanogramas TEQ/m3, no Japão.
    Em 1997, de acordo com registros do Greenpeace, a Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (IARC) classificou as dioxinas mais tóxicas
    como cancerígenas para os humanos. “Uma vez emitidas no meio ambiente, essas substâncias podem viajar longas distâncias pelo ar e pelas
    correntes oceânicas, tornando-se uma contaminação global.

    As dioxinas liberadas pelos incineradores também podem acumular-se em animais ruminantes e peixes, por meio da cadeia alimentar. São
    diversos os casos relatados mundialmente em que produtos como leite, ovos e carne continham níveis de dioxina acima dos permitidos
    legalmente”, descreve o documento “Incineração não é a solução”.

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