Mais da metade das cidades brasileiras ainda tem lixão a céu aberto


A grande maioria das cidades brasileiras não sabe o que fazer com as quase 200 mil toneladas de lixo coletadas por dia, diz uma pesquisa do IBGE.

Flávia Jannuzzi Nova Iguaçu, RJ

No lugar de montanhas de lixo, um terreno cercado de verde. No aterro sanitário, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a tecnologia transforma o que os moradores jogam fora em dinheiro.

Ao contrário de mais da metade dos municípios brasileiros, aqui o destino do lixo tem finalidade que inclui o aproveitamento da água e a geração de energia.

Quase 51% das cidades ainda utilizam lixões a céu aberto. Em 22,5% há aterros controlados e em 27,7% aterros sanitários, como o de Nova Iguaçu. Nas regiões norte e nordeste mais de 85% dos municípios não dão uma destinação adequada para os resíduos.

“O lixão é zero, não é tecnologia, não é engenharia. Então o primeiro passo para a gente mudar essa realidade, esse paradigma é o aterro efetivamente sanitário”, afirma a superintendente do aterro, Adriana Felipetto.

O tratamento do lixo hospitalar no país também é preocupante: 80% dos municípios fazem a coleta, mas quase metade deles não têm onde jogar o que recolhem nos hospitais.

A pesquisa também mostrou que houve avanços, mas que o país ainda engatinha na coleta seletiva. Em 2000, 451 municípios brasileiros tinham programas de separação de lixo. Oito anos depois o número subiu para 994, que representa apenas 18% do total.

O lixo não traz consequências só para o meio ambiente, é também um problema para as pessoas que convivem com ele. Nas ruas é sinônimo de bueiros entupidos e alagamentos toda vez que chove.

De acordo com o IBGE, quase 2.300 cidades sofrem com as inundações. Resultado de um sistema de escoamento ineficiente. Mais de 27% desses municípios reconhecem que há falhas no sistema de drenagem.

“No mundo inteiro, hoje, o lixo é convertido em energia. Nos países desenvolvidos cerca de 4% da matriz elétrica é proveniente de lixo urbano. Então há um investimento para que os danos que possam ser causados pelo lixo sejam de fato resolvidos imediatamente”, conclui a Pesquisador da Coppe, Luciano Basto.

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