EDITORIAL: Escute, analise, avalie


Há quase dois meses e de maneira mais intensa desde o início da semana passada, com a estreia do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio – o chamado guia eleitoral -, os eleitores vêm sendo bombardeados com discursos de candidatos que prometem transformar o município, o estado e o país em uma maravilha, quase de forma mágica. Tudo bem. Sem maiores problemas, porque os excessos não ultrapassam o tolerável ou o que a legislação eleitoral não permite.

O perigo nas campanhas eleitorais ocorre sem alardes, às escondidas, distante dos estúdios de rádio e TV e dos microfones durante aparições públicas. É nesse terreno próprio a uma determinada categoria de políticos e seguidores que a corrupção eleitoral corre solta e assegura mandatos de corruptos por todo o país, em todas as esferas de poder.

Com um punhado de dinheiro e nenhum respeito à moralidade, à civilidade e às regras, eles compram literalmente o voto dos eleitores. Humilham os eleitores e esculhambam a Nação. E esculhambam duplamente a Nação, na medida em que agem fora-da-lei que eles próprios criam e, na condição de corruptos, participam pacífica, passiva e ativamente das negociatas, do jogo sujo do poder, comprometendo a ação das instituições para as quais se elegeram.

Na semana passada o Senado, em parceria com a Câmara dos Deputados, lançou a campanha de conscientização Seu voto faz o Congresso Nacional. O lançamento ocorreu poucos dias depois de a associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter lançado a campanha Não Vendo Meu Voto.

O secretário de Jornalismo da Secretaria Especial de Comunicação Social (SECS), Davi Emerich, afirmou se tratar de uma campanha inédita, que visa valorizar o voto para deputados federais e senadores. É que na eleição de 2006, os votos nulos e brancos para senador atingiram 19,3%, enquanto a média de votos inválidos para os outros cargos foi de 11%. Uma diferença ou rejeição que corresponde a quase o dobro na escolha dos representantes no Senado.

A preocupação, portanto, é plenamente justificável e a ação, vamos dizer, louvável, considerando que, se devidamente assimilada pelos eleitores, a campanha poderá afastar muitos do que lá estão.

Mas, com o nível da representação do Senado, o risco é mínimo e foi cuidadosamente calculado. Isso porque, salvo raras exceções, as “velhas raposas” que concordaram com a campanha estão em seus estados agindo sorrateira e frontalmente no sentido contrário, corrompendo consciências. É assim que se perpetuam no poder e desfilam reluzente e despudoradamente por palácios legislativos e executivos. E diante do repetido sucesso nas urnas, de forma desavergonhada, muitos aceitam e estimulam a veneração e até o endeusamento, principalmente em seus feudos.

E você, o que acha de tudo isso? Dê a sua resposta no dia 3 de outubro.

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Uma resposta para EDITORIAL: Escute, analise, avalie

  1. josiel da silva rocha disse:

    gostaria me escrever para suape.como posso me escrever?

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