Filho de Sakineh diz que sua mãe morrerá se pressão diminuir


Em entrevista a jornal italiano, iraniano volta a pedir campanha contra a execução de sua mãe

estadão.com.br

ROMA – Sajjad Ghaderzadeh, filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana condenada à morte por adultério e assassinato, disse que sua mãe morrerá se a pressão da comunidade internacional contra sua sentença diminuir. As declarações do iraniano foram publicadas nesta sexta-feira, 3, no jornal italiano Corriere della Sera, informa a agência Ansa.

Segundo Ghaderzadeh, as condições nas quais sua mãe é mantida na prisão “são muito difíceis”. “Ela sofre incessantes interrogatórios da parte dos serviços iranianos. Perguntam, por exemplo, como sua fotografia está em todo o mundo e quem, segundo ela, lançou essa mobilização internacional”, comentou o jovem.

Ele também sugeriu dirigir-se ao Brasil e à Turquia, que têm “relações privilegiadas” com a República Islâmica, para prosseguir com a pressão no caso de sua mãe.

Sobre a confissão que sua mãe teria feito a uma emissora local, admitindo participação na morte do marido, Ghaderzadeh disse que o vídeo foi produzido depois que ela foi torturada. “As autoridades precisavam daquela confissão para poder reabrir o caso do homicídio do meu pai”, explicou o jovem, que não acredita que a mulher tenha responsabilidade no episódio.

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, alterada para enforcamento.

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

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