Modelo cubano não funciona, diz Fidel


O Estado de S.Paulo

O líder cubano Fidel Castro, de 84 anos, admitiu que o modelo econômico de Cuba “não funciona mais” e, num mea culpa histórico, afirmou que sua posição na Crise dos Mísseis de 1962, que quase levou os Estados Unidos e a ex-União Soviética a um conflito nuclear, no auge da Guerra Fria, “não valeu nada a pena”.

As declarações foram publicadas ontem no blog do jornalista americano Jeffrey Goldberg, da revista americana Atlantic Monthly. “O modelo cubano não funciona mais nem para nós”, disse Fidel ao jornalista, ao responder a uma questão sobre se o modelo econômico da ilha ainda poderia ser exportado.

O novo discurso reflete a concordância de Fidel – já manifestada numa coluna publicada em abril pela imprensa estatal cubana – com as modestas reformas econômicas promovidas por seu irmão caçula, Raúl Castro, atual presidente de Cuba.

O jornalista também disse que Julia Sweig, especialista em Cuba do centro de estudos americanos Council on Foreign Relations, que presenciou o diálogo em Havana, acredita que as palavras de Fidel reflitam uma admissão de que “o Estado tem um papel grande demais na vida econômica do país”.

Segundo Julia, o comentário de Fidel ajudaria Raúl, no poder desde 2008, em sua disputa de forças contra membros do Partido Comunista que são contrários às tentativas de enfraquecer o domínio econômico estatal.

Goldberg disse ter tido dúvidas sobre se estava entendendo bem o que Fidel dizia e, por isso, pediu a Julia que confirmasse a essência das declarações. A pesquisadora teria dito ao jornalista que, ao fazer críticas ao modelo econômico da ilha, Fidel “não rechaça os ideais da Revolução Cubana (1959), mas reconhecendo que sob esse modelo, o Estado teria um peso muito grande”.

Na terça-feira, Goldberg escreveu que Fidel o chamou a Havana para discutir seu recente artigo sobre a possibilidade de um conflito nuclear entre Israel e Irã, com possível envolvimento dos Estados Unidos.

O jornalista afirmou que o líder cubano criticou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por fazer comentários antissemitas e negar a existência do Holocausto em diversos discursos públicos (mais informações nesta página).

Ativista do desarmamento. Depois de reaparecer, após quatro anos de afastamento por motivos de saúde, Fidel tornou-se um ativista do desarmamento nuclear. Ele teme uma guerra atômica caso Israel e Estados Unidos tentem impor o cumprimento de sanções internacionais ao programa nuclear iraniano. Washington e as principais potências europeias acusam Teerã de tentar desenvolver armas atômicas, o que os líderes iranianos negam.

Durante a visita a Havana, Goldberg e Sweig foram com Fidel assistir a uma exibição de golfinhos no Aquário Nacional de Cuba. O grupo estava acompanhado pela líder judaica local Adela Dworin, a quem Fidel beijou diante das câmeras, no que foi interpretado como uma possível mensagem aos líderes iranianos, disse Goldberg em seu blog. O jornalista também disse que Fidel lhe pareceu fisicamente frágil, mas mentalmente lúcido e com energia.



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