Parada da Diversidade deve mobilizar mais de 200 mil manifestantes em Boa Viagem


O evento acontece no próximo domingo (12/09) a partir das 9h com shows e atos políticos.


Por Micheline Américo

Cerca de 200 homossexuais foram assassinatos em 2009 no Brasil de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia. O que mais chama atenção, além das elevadas estatísticas, são os requintes de crueldade com os quais os crimes são praticados. O Nordeste continua sendo a região mais homofóbica que conforme pesquisa, abriga 30% da população brasileira e registrou 48% dos homicídios de homossexuais.

O Estado de Pernambuco figura entre os primeiros do país em casos dessa natureza, conforme pesquisa do Grupo Gay Leões do Norte, realizada no período de 2002 a 2009. Segundo o levantamento, grande parte dos homicídios atinge cerca de 50% dos gays e as causas de morte mais freqüentes são arma de fogo, instrumentos cortantes, espancamentos e apedrejamentos, respectivamente.


Por essa razão, Fórum de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Pernambuco (Fórum LGBT/PE) escolheu como tema da 9ª Parada da Diversidade de Pernambuco“Direitos: Queremos por Inteiro, Não Pela Metade”. O objetivo é destacar o Projeto de Lei nº 122/2006 que criminaliza as manifestações homofóbicas, bem como os mais de 78 direitos que são exclusivamente negados às pessoas homossexuais.
O evento acontece no dia 12 de setembro de 2010, a partir das 9h, em frente ao Edifício Acaiaca, na Avenida Boa Viagem. A saída dos trios está prevista para as 12h, em frente ao Hotel Recife Palace e segue por 3,5km até o 2º Jardim. A expectativa é reunir mais de 200 mil pessoas em torno da causa. Tradicionalmente, o protesto é marcado pela irreverência e alegria dos promotores e participantes.
Durante a concentração, grupos de percussão vão receber os manifestantes ao som do maracatu. Logo em seguida, nove cantoras assíduas nos bares LGBT´s acompanhadas por Luciana Moreno e Banda Batukada, vão trazer canções de todos os ritmos e estilos que marcam as pistas de dança da cidade, além de performances de seis drag-queens e desfile de moda. A concentração vai aquecendo a galera que aguarda a saída dos dez trios-elétricos e duas freviocas. Quem vai puxar a parada é o grupo de samba Patusco, além de várias bandas e DJs. Aí, a festa fica por conta das fantasias, performances, bandeiras e palavras de ordem dos manifestantes. A previsão é de que o último trio chegue por volta das 18h, no 2º Jardim, linha final do percurso.

Para garantir a segurança e a tranqüilidade dos participantes, estão alocados cerca de 600 agentes de segurança pública, entre eles, 420 policiais militares e civis, 40 guardas municipais, 80 agentes de trânsito, além de seguranças particulares. Também estão previstas uma viatura do Corpo de Bombeiros, três ambulâncias, uma ouvidoria e duas unidades de atendimento para mulheres vítimas de violência. “A finalidade do esquema é a manter o índice de ocorrência em zero e o agito em níveis elevadíssimos, como ocorreu nos anos anteriores”, diz Iris Silva, integrante do Fórum LGBT/PE.
Para os organizadores da Parada da Diversidade, o evento tem contribuído para a conquista de direitos e benefícios. Destacam-se as leis16.780/2002 que coíbe a toda a forma de discriminação por orientação sexual no Recife e a 12.876/2005 que determina ao governo estadual a elaboração de estatística sobre crimes contra homossexuais para enfrentar a violência de maneira mais eficaz.

Também relevantes são a legislação que garante os direitos à Previdência Social de parceiros homossexuais de funcionários públicos estaduais e servidores públicos da Prefeitura da Cidades do Recife(PCR). Os militantes somam como resultado ainda a criação da Gerência da Livre Orientação Sexual(Glos) na PCR no ano de 2005 e da Assessoria da Diversidade no Governo de Pernambuco, instituída em 2009. É lembrada ainda a constituição da Frente Parlamentar LGBT na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2009.

Conforme os integrantes do Fórum LGBT/PE, a pressão agora é para aprovar no âmbito nacional o Projeto de Lei 122/2006 que criminaliza a homofobia no Brasil, bem como o Projeto de Lei Projeto de Lei 4914 / 2009 acerca da União Estável de casais homossexuais. Na esfera estadual, o movimento reivindica a lei que proíbe toda forma de discriminação com base na orientação sexual, atualmente em tramitação na Alepe e a instituição do nome social para travestis e transexuais. “Isso é para mostrar que a Parada da Diversidade é mais que uma festa. É sobretudo um ato político. Por isso, iremos milhares de vezes à rua até que todos os direitos humanos que nos são negados, sejam devidamente reconhecidos”, afirma Vanildo Bandeira, coordenador do Fórum LGBT/PE.

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