Comissão vê abusos em quase todos os internatos católicos da Bélgica



Um relatório divulgado nesta sexta-feira por uma comissão estabelecida pela Igreja Católica relata detalhes de 300 supostos casos de abusos sexuais perpetrados há décadas por sacerdotes católicos na Bélgica em quase todas as dioceses e internatos católicos do país.

daBBC

O investigador Peter Adriaenssens disse que a maioria dos abusos – que incluem estupro, sexo anal e oral – foi perpetrada contra menores de idade nos anos 1960 e que 13 das supostas vítimas cometeram suicídio.

Segundo o relatório, dois terços das vítimas eram meninos com menos de 18 anos, mas há denúncias de que mais de cem meninas também foram estupradas e de que o abuso continuou quando as vítimas chegaram à maioridade.

A comissão recomendou a punição dos responsáveis pelos abusos e a criação de um fundo de solidariedade para as vítimas.

A expectativa é de que na segunda-feira a Igreja Católica belga anuncie como irá responder às denúncias.

‘Ignore’

Uma suposta vítima citada no documento disse que começou a sofrer abusos quando tinha apenas dois anos de idade.

Outra contou que procurou ajuda de um bispo em 1983, quando tinha 17 anos, após sofrer abusos de um padre. Ela disse que o bispo lhe respondeu: “Ignore-o (o padre abusador) e ele a deixará em paz”.

Ainda assim, Adriaenssens disse que não há evidências de que os casos tenham sido acobertados sistematicamente pela igreja, explicou o repórter da BBC em Bruxelas Jonty Bloom.

As investigações resultaram em uma polêmica legal: meses atrás, os documentos coletados por Adriaenssens foram apreendidos pela polícia, que fazia sua própria investigação de casos de pedofilia na igreja.

Mas uma decisão judicial na última quinta-feira considerou a apreensão ilegal e proibiu que os documentos fossem usados por promotores. Por isso, nenhuma acusação formal foi feita até o momento contra os supostos responsável.

A Bélgica é um entre vários países da Europa abalados por denúncias de abusos sexuais dentro da Igreja Católica.

Em abril, o bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, renunciou após admitir que havia abusado sexualmente de um garoto.

Houve denúncias de pedofilia também na Irlanda, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suíça, Malta, Áustria e Itália (além de Estados Unidos e Brasil), e em alguns casos o papa – quando ainda era cardeal – foi acusado de não ter punido os acusados.

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