No Reino Unido, papa diz que Igreja foi pouco vigilante em casos de pedofilia


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O papa Bento 16 chegou nesta quinta-feira a Edimburgo, na Escócia, para iniciar uma visita oficial e pastoral de quatro dias ao Reino Unido, a primeira visita de Estado de um pontífice ao país desde que Enrique 8º rompeu relações com Roma, em 1534. Em meio a rumores sobre um possível encontro com vítimas de padres pedófilos, o papa admitiu que a Igreja não foi “suficientemente vigilante” em relação aos abusos sexuais.

“A Igreja não foi suficientemente vigilante. As revelações foram um golpe para mim”, disse o papa a jornalistas, ainda no avião que o levou ao país. O avião, da companhia Alitalia, pousou às 10h20 (6h20 de Brasília) no aeroporto da capital da Escócia.

A imprensa britânica afirmou recentemente que o papa poderá se encontrar com vítimas de pedofilia durante a visita ao país. O encontro ocorreria no dia 18, quando há um intervalo considerável entre a missa que o pontífice celebrará às 10h locais na catedral de Westminster e a visita que fará às 17h locais à casa de repouso St. Peter’s Residence.

Em viagem apostólica à ilha de Malta em abril passado, o papa se encontrou com pessoas que sofreram abusos por parte de sacerdotes. A reunião não estava programada na agenda oficial e foi considerada pelos participantes como um momento bastante “emocionante”. Ele fez o mesmo na Austrália, nos Estados Unidos e também no Vaticano, quando recebeu uma delegação de canadenses.

Nos últimos meses, a instituição católica tem sido duramente criticada, além de perder sua credibilidade perante os fieis em decorrência da divulgação de uma série de denúncias de abusos sexuais contra crianças, acobertados ou cometidos por membros do clero em diversos países, entre eles o Reino Unido, Estados Unidos, Itália, Alemanha e Brasil.

O papa já expressou por diversas vezes seu repúdio e vergonha pelos crimes cometidos. Desde o início do ano, além de pedir desculpas ao abordar o tema, Bento 16 tem anunciado ações para evitar casos semelhantes e recuperar a confiança dos católicos.

RECEPÇÃO

O papa foi recebido no aeroporto pelo Príncipe Filipe, duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth 2ª, e por membros do Real Regimento da Escócia, que formaram um corredor de honra, e pela hierarquia católica do país.

Em Edimburgo, Bento 16 será recebido por Elizabeth 2ª, governadora suprema da Igreja Anglicana, no Palácio de Holyroodhouse, onde acontecerá a cerimônia que marca o começo da visita de Estado. O papa e a soberana britânica manterão um breve encontro privado nesta residência, e trocarão presentes.

Pouco depois haverá uma recepção de boas-vindas, com participação do arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja da Inglaterra; do vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, e dos primeiros-ministros da Escócia, Gales e Irlanda do Norte, Alex Salmond, Carwyn Jones e Peter Robinson, respectivamente, além de representantes da vida civil, política e eclesiástica.

Ao término desta recepção, o pontífice iniciará um percurso no papamóvel pelas ruas de Edimburgo, onde poderá ser ouvido o som das tradicionais gaitas de fole escocesas, por sua visita coincidir com a festividade de São Niniano, o primeiro evangelizador da Escócia.

A capital escocesa é a primeira etapa de uma viagem que também levará o papa a Glasgow, Londres e Birmingham.

A última viagem de um papa ao Reino Unido foi a de João Paulo 2º, em 1982, mas na ocasião tratou-se de uma visita pastoral, e não de Estado.

DEBATE

A viagem do papa desatou um debate no Reino Unido e levou ativistas a prepararem diversas manifestações.

O grupo Protest the Pope, que participou das conversas e reúne diversas entidades que contestam a viagem, está organizando uma série de iniciativas que coincidirão com a estadia do pontífice, entre as quais uma manifestação no centro de Londres no dia 18, quando o papa celebrará uma missa para milhares de pessoas no Hyde Park.

Os opositores criticam a visita do papa como chefe de Estado e não apenas líder religioso, afirmando que o evento não deveria ser financiado pelos contribuintes britânicos.

As razões para isso, alegam, são que o Vaticano não é verdadeiramente um Estado, conforme sua opinião; que as religiões são entidades autoconstituintes e como tais deveriam se financiar com fundos próprios; e que a Igreja Católica foi instrumento para esconder crimes cometidos por seus membros, e portanto o papa não deveria ser acolhido com todas as honras.

Os defensores da visita afirmam que o Vaticano é uma entidade soberana, criada e reconhecida anteriormente aos Pactos de Latrão –que instituíram o Estado da Cidade do Vaticano em 192 — e que hoje mantém relações diplomáticas com 178 países.

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