Serra e Marina focam grandes colégios eleitorais para forçar 2º turno


Dilma se concentra nos dois últimos debates, enquanto rivais precisam ‘roubar’ votos e convencer indecisos

Julia Duailibi, Malu Delgado, Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Na reta final das eleições, os candidatos José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) aproveitarão a última semana de campanha para reforçar estratégias nos principais colégios eleitorais e calibrar o discurso para o eleitor indeciso em busca de um segundo turno. Com chances de vencer no primeiro turno, Dilma Rousseff (PT) aposta e se prepara para os dois últimos debates na TV.

Nos bastidores, o PT acredita ser possível a vitória no primeiro turno, dia 3 de outubro, mas também tem preparado dirigentes e militantes para um enfrentamento no segundo turno, se necessário. Já o comando tucano articula aumento da exposição de Serra no Rio e em São Paulo.

Diante da oscilação negativa de Dilma nas últimas pesquisas de intenção de votos, o comando político da campanha reforça a necessidade de adotar cautela na reta final e considera que os momentos decisivos serão os dois últimos debates, na TV Record, neste domingo, 25, e especialmente o da TV Globo, o de maior audiência.

Principal cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula também arrefeceu o tom do discurso contra a mídia em comício realizado em Porto Alegre na sexta-feira, 24. Após sucessivas críticas de parcialidade da mídia e de adotar uma retórica agressiva contra a oposição, Lula destacou a importância da imprensa e afirmou que “é preciso ter humildade”.

“Estamos confiantes, mas sem salto alto, e vamos continuar na mesma linha de campanha”, disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra, coordenador da campanha de Dilma. “O que salta aos olhos é que após um mês de intenso bombardeio a Dilma não perdeu votos.”

Segundo o presidente do PT, a despeito da pequena oscilação, as pesquisas deixam claro que Dilma Rousseff tem voto consolidado. O aumento da vantagem de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), afirmou Dutra, ocorreu sobretudo a partir dos votos de indecisos, e não houve perda de votos da petista.

“Nunca proclamamos vitória antecipada e nunca ficamos de salto alto. Se não for possível ganhar no primeiro turno, ganharemos no segundo”, afirmou o coordenador de comunicação da campanha de Dilma, o deputado estadual Rui Falcão (PT).

O comando petista acredita que Dilma será o alvo principal dos adversários nos dois últimos debates, e que as denúncias sobre tráfico de influência na Casa Civil e violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB serão amplamente explorados. “A Dilma já está escolada com isso e absolutamente preparada para os debates finais”, afirma Dutra.

Euforia

Após uma longa e desconfortável permanência nos arredores de 9% nas pesquisas, a coordenação da campanha de Marina Silva está eufórica com os 12% das intenções de voto obtidos na última sondagem do Ibope, feita entre os dias 21 e 23.

A confirmação pelas pesquisas de que cresce o número de eleitores dispostos a votar em Marina aumenta a convicção dos seus coordenadores de que a rota está correta e será mantida.

“A onda verde que estamos verificando nos últimos dias decorre de uma estratégia que deve ser mantida”, ressalta o coordenador da campanha, João Paulo Capobianco. “Não perdemos votos, não caímos, e agora estamos subindo.”

Marina deve avançar pela última semana de campanha dizendo que não quer embate, mas sim debate. Assim como Dilma, sua principal preocupação é estar bem preparada para os debates da Record e da Globo. Sabe que seu avanço nas pesquisas se deve mais à exposição no noticiário e nos debates, já que o horário eleitoral gratuito lhe reserva o diminuto espaço de 1m26s.

Capobianco reforça a importância de Marina ter se diferenciado de Serra no tratamento dos escândalos que afetaram Dilma. “Ela não quis usar nenhum escândalo de forma eleitoreira. Quando criticou o vazamento na Receita, sua principal preocupação não foi roubar votos de Dilma, mas sim para defender o Estado e suas instituições”, afirma.

Agendas

Serra estará neste domingo, 26, e quinta-feira no Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do País e onde Marina conseguiu empatar com ele na segunda posição – o tucano tem 19% das intenções de voto contra 18% da candidata do PV. Também reforçará agenda em São Paulo, colado com Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo paulista e líder das pesquisas no Estado.

Na quarta-feira, os tucanos pretendem encerrar a campanha com uma festa na Mooca. Inicialmente, pensou-se num evento no centro da cidade, mas como a campanha da adversária petista também articulava algo parecido, o PSDB resolveu fazer a festa no bairro popular onde Serra nasceu. Ainda estão previstas passagens pela Bahia e por Minas.

A agenda da petista para a última semana não foi definida. O evento já anunciado é o “último comício”, na segunda-feira, no sambódromo em São Paulo.

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