Alemanha deve quitar última dívida da Primeira Guerra Mundial no domingo


DA REUTERS, EM BERLIM

A Alemanha vai finalmente pagar sua última dívida da Primeira Guerra Mundial (1914-18) neste domingo, no 20º aniversário da reunificação alemã.

O escritório federal alemão para serviços centrais e assuntos não resolvidos de propriedade (BADV, na sigla em alemão) disse nesta terça-feira que um título emitido para pagar as dívidas restantes do conflito dever ser pago em 3 de outubro, duas décadas após as Alemanhas Oriental e Ocidental se unificarem.

A última parcela de 70 milhões de euros (R$ 162,6 milhões) vão encerrar uma novela de 92 anos, na qual a Alemanha mergulhou em uma ditadura totalitária e provocou a Segunda Guerra Mundial (1939-45), que terminou com a divisão do país durante quatro décadas de Guerra Fria.

O Tratado de Versalhes, acordo de paz assinado pela Alemanha e os Aliados em 1919, tornou a Alemanha sozinha responsável pela Primeira Guerra, exigindo que pagasse reparações pelos danos causados aos países aliados e seus povos entre 1914 e 1918.

A soma foi fixada em 1921 em cerca de 6,6 milhões de libras (R$ 17,85 milhões), uma alta quantia para a época, que muitos historiadores argumentaram estar além das possibilidades da Alemanha.

Houve esforços para reduzir a quantia, principalmente com o Plano Dawes, em 1924, e o Plano Young, em 1929, durante os quais Berlim recebeu empréstimos para cumprir os pagamentos de indenização.

Mas o fardo pesado demais desencadeou um ressentimento massivo na Alemanha e ajudou a alimentar o crescimento de Adolf Hitler e de seu Partido Nazista.

A Alemanha parou de pagar a indenização sob o comando dos nazistas, e os aliados ocidentais –EUA, França e Reino Unido– chegaram a um novo acordo sobre as dívidas externas alemãs em 1953.

O acordo de Londres estipulou que algumas dívidas não deveriam ser pagas até que a Alemanha se reunificasse, disse o BADV.

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Uma resposta para Alemanha deve quitar última dívida da Primeira Guerra Mundial no domingo

  1. BRAÇO FORTE disse:

    Não poderia deixar de fazer uma reflexão comparativa entre a realidade da dívida alemã durante o pós-guerra com a realidade brasileira em um momento histórico em particular. Ao contrário do que a tradição histórica sempre alinhavou, o Brasil talvez tenha sido a única Nação no mundo que, após sair vencedora de uma guerra, tenha pago uma vultosa “indenização”.

    Refiro-me ao Pós-Guerra pela Independência quando, no ano subseqüente, o Tratado de 29 de agosto de 1825, intermediado pelos ingleses, oficializou o reconhecimento de nossa independência pela Coroa Portuguesa mediante o pagamento pelo Brasil de assombrosos 2 milhões de libras esterlinas, abrindo o caminho para que as demais monarquias européias também se sucedessem no reconhecimento.

    No entanto, a infalível tradição histórica predatória volta a funcionar contra o Brasil quando, na condição de nação recém-formada, fica sem condições de pagar a pesada indenização estabelecida pelo tratado de 1825, inclusa em cláusula secreta. Nesse momento, os ingleses emprestaram os recursos que asseguraram o pagamento deste valor. Na verdade, o dinheiro nem chegou a sair da própria Inglaterra, já que os portugueses tinham que pagar uma dívida equivalente aos mesmos credores. Dava-se, assim, o início de nossa massacrante dívida externa, uma conta de origem lusitana onde o vencedor reparou o vencido.

    O tempo foi passando, o mundo girando, se transformando, e a dívida externa aumentando e se auto-alimentando através da aplicação imoral de taxas de juros exorbitantes. Antes e depois do presidente Prudente de Morais, todos os demais presidentes se submeteram ao serviço da dívida, que continuou a crescer. Como foi dito, apenas o presidente Prudente de Moraes, em 1896, se negou a reconhecer tal dívida. Não reconhecia a dívida, portanto não havia o que renegociar. Para se ter uma dimensão do quanto a conta pesou no nosso bolso, comprometendo o bem estar de gerações futuras, em 40 anos, analisando um passado recente compreendido entre 1960 a 2000, a dívida passou de 1 bilhão de dólares, para 240 bilhões, mesmo depois do pagamento de mais de 600 bilhões de juros. Assalto em cima de assalto.

    É certo que a dívida foi paga e não estamos mas ao seu serviço. Mas não esqueçamos que nos livramos da ditadura da dívida graças a um pesado sacrifício social imposto ao povo brasileiro por mais de um século. Hoje, a Nação começa a conquistar um lugar ao sol frente a um mundo extremamente competitivo, perverso e assimétrico. De olho no passado e com os pés no futuro, devemos daí apreender muitas lições para que não nos esqueçamos dos sacrifícios de nossos antepassados!

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