ARTIGO: Despolitizando o povo


Por DOUGLAS MENEZES*

Em recente debate com alunos do Colégio Americano Batista, o candidato ao Senado Humberto Costa foi questionado sobre o fato de o PT apoiar e receber apoio de políticos até então chamados de fisiologistas, conservadores e até de outros adjetivos menos votados. Na lista estão Fernando Collor de Mello, afastado da Presidência acusado de corrupção, José Sarney, cujo mandato parlamentar é muito questionado junto à Sociedade brasileira, principalmente pelos supostos inúmeros escândalos divulgados pela imprensa, além de liderar um estado com um dos maiores índices de pobreza do país, o Maranhão, sem que nesses anos todos tenham havido ações reais para tirar o povo maranhense da miséria endêmica.

Além desses, recebe apoio e apoia a candidata oficial, o senador Renan Calheiros, que esteve para ser cassado por quebra de decoro, por conta de problemas em sua vida pessoal. Sem falar no ultraconservador Severino Cavalcante, prefeito de João Alfredo, responsável pelo encaminhamento da expulsão do padre Italiano Vítor Miracapillo, que realizava trabalho social louvável na cidade pernambucana de Ribeirão e se recusara a celebrar missa pela independência do Brasil, já que não considerava o país independente.

Salientemos, então, que esses cidadãos citados eram tidos, pela chamada esquerda brasileira como “persona non grata”, atrasados e inimigos do povo, pelo passado e presente de cada um deles. Acrescente-se aí, Delfim Neto e Paulo Maluf, que hoje rendem homenagem ao governo e que também num tempo recente eram figuras rejeitadas a serem “extirpadas” da política brasileira. Faz rir observar o PT e PC do B irem a João Alfredo fazer campanha para Severino Cavalcante e o presidente dizer que esse político é vítima das elites brasileiras.

Então, na mesma linha de raciocínio, chamou-nos a atenção a resposta do senhor Humberto Costa diante do questionamento dos estudantes: todos deveriam ter chance de mudar e seria isto que esses políticos estariam fazendo ao dar apoio à candidata do PT. Nada despolitizante e questionável que uma resposta desta, partindo de uma pessoa com a história militante do ex-ministro da saúde. Que lição os jovens terão para o futuro? O passado não vale nada? Por que revitalizar pessoas que tiveram todas as chances de ajudar o país, de modificar e melhorar a vida do povo e nunca o fizeram? São essas incoerências que afastam a população da política, que fazem do poder um vale tudo, que criam a descrença de que há pessoas diferentes participando das eleições com desejo de mudar e com postura ética. Comportamento assim dificulta a noção de que a democracia cada vez mais necessita da participação popular, notadamente dos jovens, substitutos autorizados dos governantes que hoje comandam o país.

*DOUGLAS MENEZES é professor, escritor e membro da Academia Cabense de Letras – Cabo de Santo Agostinho/PE.

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