Chefe da polícia do Equador renuncia após rebelião nacional, diz porta-voz


Agência Folha
DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O comandante da polícia nacional do Equador, general Freddy Martínez, renunciou ao cargo após os episódios desta quinta-feira, informou o porta-voz da polícia Richard Ramirez à agência Associated Press. Uma rebelião de policiais levou o caos ao Equador durante todo o dia de ontem. O presidente, Rafael Correa, ficou isolado em um hospital por quase 12 horas e só foi liberado no início da madrugada de hoje. Para levá-lo de volta ao palácio presidencial, o Exército do Equador e policiais rebelados entraram em confronto e houve troca de tiros.

O anúncio da renúncia deve ser oficializada à imprensa nesta sexta-feira, segundo o porta-voz da corporação.

Em discurso após ser resgatado, Correa afirmou que fará uma “limpeza profunda na polícia nacional” e que “não haverá perdão, nem esquecimentos”.

As intensas manifestações desta quinta no país foram motivadas por uma proposta do governo que reduz benefícios salariais das forças de segurança e que está em votação na Assembleia Nacional. Em reação ao amplo protesto de policiais e de parte dos militares, o Equador decretou estado de exceção por uma semana em todo o território nacional e delegou o policiamento e a segurança interna e externa do país às Forças Armadas.

O estado de exceção pode ser decretado pelo líder de um país em situações de emergência. A medida extrema inclui a suspensão temporária das garantias constitucionais, a possibilidade de decretar o toque de recolher e dá às Forças Armadas amplos direitos –como o de voz de prisão– para garantir a segurança nacional.

Centenas de agentes das forças de segurança do Equador saíram às ruas de Quito e ao menos outras duas cidades em um protesto em massa contra a lei do governo. O aeroporto foi fechado e suas operações canceladas após uma pista ser tomada por cerca de 120 militares que estariam apoiando os protestos –a cúpula militar, porém, reiterou estar ao lado do presidente. A imprensa equatoriana afirma que policiais chegaram a invadir a sede do Congresso.

O policial Froilán Jiménez, do GOE (Grupo de Operações Especiais), que apoiava o governo, morreu no conflito e outros 27 soldados ficaram feridos. De acordo com o governo, um civil também morreu e outros 50 ficaram feridos.

RESGATE

O presidente Rafael Correa permaneceu isolado por quase 12 horas em um hospital da polícia em Quito, e disse que se sentia “sequestrado” pelos manifestantes. Na noite de quinta-feira, o Exército do Equador realizou uma operação de resgate, que foi transmitida ao vivo por canais de TV internacionais. Houve troca de tiros com os policiais rebelados, que impediam a saída do presidente do local.

Os militares conseguiram romper o bloqueio e entrar no prédio. Correa foi retirado, vestindo uma máscara antigás e um capacete, e sentado em uma cadeira de rodas devido à cirurgia que fez no joelho há pouco mais de uma semana. O carro que o transportou até o palácio foi atingido por quatro disparos de fuzil, segundo a agência local Andes. O presidente foi levado ao palácio do governo, sob forte escolta militar, onde foi recebido por ministros e iniciou longo discurso para centenas de populares que se aglomeram com bandeiras nas cores do país.

Correa foi encaminhado ao hospital mais cedo, atingido por gás lacrimogêneo, depois tentar conter os protestos no principal quartel da capital. Em entrevista por telefone, ele tinha dito que não autorizava uma operação para resgatá-lo do local –onde estaria “refém” dos manifestantes– porque queria “evitar derramamento de sangue” no país.

“Saio daqui como presidente ou como cadáver. Eu não vou assinar nada sob pressão, não vou esmorecer, antes morto que perder a vida”, disse ele em entrevista a TV, acrescentando que se reuniu com três comissões dos policiais rebelados e anunciou a eles a sua intenção.

ACUSAÇÕES

Em discurso na sacada do Palácio de Carondelet, Correa acusou os policiais equatorianos rebelados de sequer terem lido a lei contra a qual estavam protestando, e de terem sido manipulados por membros da oposição para “sequestrar seu comandante e atacar a seus cidadãos”.

“Ninguém fez mais pela polícia, ninguém melhorou tanto o salário deles. Quando vi tanta agressividade, me senti profundamente triste, como uma punhalada no peito”, disse Correa ao cumprimentar os simpatizantes que o esperavam junto à sede do Executivo. “Mas não era toda a polícia.” Correa acusou o levante de ter sido provocado por policiais infiltrados a serviço do ex-presidente Lucio Gutiérrez e contra sua “revolução cidadã”.

Gutierrez negou qualquer participação. “Minhas primeiras palavras são para rejeitar as covardes, falsas e temerárias acusações do presidente Correa”, disse Gutiérrez, que está no Brasil e foi convocado pela Procuradoria por sua “suposta tentativa de assassinato contra Correa”.

“A irresponsabilidade de Rafael Correa acelerou todo este clima de incerteza no Equador; o único que quer acabar com seu mandato antes da hora é o próprio Correa”, disse o ex-presidente.

O representante do Ministério Público, Washington Pesantez, afirmou ao jornal “El País” que irá investigar “a conspiração de fora da sede do governo” que levou à revolta.

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