França condena ex-corretor a pagar 4,9 bilhões de euros por fraude



Jérôme Kerviel levaria mais de 177 mil anos para reembolsar banco por operações fraudulentas.

BBC

Jérôme Kerviel, ex-operador de mercado do Société Général, foi condenado nesta terça-feira pelo Tribunal Correcional de Paris a três anos de prisão e deverá ainda pagar ao banco francês 4,9 bilhões de euros (R$ 11,3 bilhões), o equivalente aos prejuízos causados com suas operações fraudulentas em 2008.

Como Kerviel, 33 anos, trabalha atualmente como consultor em informática, com salário mensal de 2,3 mil euros, ele levaria mais de 177 mil anos para reembolsar o banco Société Générale.

No total, Kerviel foi condenado a cinco anos de prisão, mas poderá cumprir dois deles em liberdade condicional. O restante da pena será cumprida em regime fechado. Para o tribunal, os atos do ex-operador “causaram prejuízos à ordem econômica mundial”. O julgamento, iniciado em junho, foi considerado na França como um símbolo do combate à fraude financeira.

A Justiça francesa não acatou os argumentos do ex-trader, que se defendeu alegando que o banco estaria a par de suas operações fraudulentas, mas teria feito vistas grossas porque elas seriam lucrativas para a instituição. Aposta na alta das bolsas

Kerviel, que ficou conhecido como um dos maiores fraudadores da história, embora fosse um pequeno operador de nível médio, chegou a movimentar em suas operações 50 bilhões de euros (R$ 115 bilhões), montante maior do que o patrimônio líquido do banco.

Após a descoberta da fraude, em janeiro de 2008, o ex-trader havia admitido que apostava na alta das bolsas europeias, o que acabou não acontecendo em razão dos temores de recessão nos Estados Unidos.

Ele confessou ter fraudado os controles de segurança informática do banco, por meio de um sofisticado sistema que dissimulava as transações fictícias. Kerviel também elaborou documentos falsos para esconder as operações.

“Os elementos indicados pela defesa não permitem deduzir que o Société Général tinha conhecimento das atividades fraudulentas de Jérôme Kerviel”, afirmou o presidente da 11ª Câmara do Tribunal Correcional de Paris, Dominique Pauthe.

“Sangue frio”
Segundo o juiz que presidiu o julgamento, Kerviel “ultrapassou o seu mandato ao realizar operações especulativas que o banco desconhecia e em proporções gigantescas”. “Ele quis inverter os papéis ao se posicionar como vítima de um sistema do qual ele afirma ser uma criatura”, declarou o juiz, que evocou ainda o “sangue frio permanente e o cinismo das atitudes” do ex-operador.

O advogado do ex-trader, Olivier Metzner, afirmou que a decisão do tribunal parisiense “é inaceitável pelo seu caráter totalmente excessivo”. Ele anunciou que irá recorrer da decisão, sob a alegação de que não houve “abuso de confiança”, como determinou a Justiça.

Kerviel deve permanecer em liberdade até o julgamento do recurso. O ex-operador já cumpriu 38 dias de detenção provisória no início de 2008.

Anúncios

Sobre Da Redação do TP

Contatos com a Redação: (81) 3518-1755 ou jornalismo@jornaltribunapopular.com
Esse post foi publicado em Corrupção, Economia, França, Judiciário. Bookmark o link permanente.