Calendário de Marina já tem o foco em 2014


Objetivo da senadora é emplacar ideias do programa de governo verde com Dilma e Serra como forma de fortalecer uma futura candidatura.

Marta Salomon – O Estado de S.Paulo

Com dez dias para definir qual dos dois candidatos o PV vai apoiar no segundo turno das eleições ao Planalto – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) ou, ainda, optar pela neutralidade -, o calendário de Marina Silva está pautado por questões de longo prazo e tem, desde já, foco nas eleições de 2014.

A regra do jogo a ser jogado com os candidatos é consolidar um projeto político que inexistia pouco mais de um ano atrás e que será levado a voto novamente daqui a quatro anos, com Marina Silva à frente. Amanhã, Dilma e Serra receberão o ponto de partida para a discussão do apoio do Partido Verde, sem compromisso prévio de que Marina subirá no palanque de um deles. A conversa começará com uma lista das principais propostas a serem consideradas como compromissos de campanha pelo tucano e pela petista, detalhada a partir do programa de governo do PV. Marina não esconde a intenção: mais do que declarar apoio a um ou a outro candidato, quer ver a maior parte dos compromissos assumidos por ambos.

O raciocínio é simples. Depois dos quase 20 milhões de votos obtidos no primeiro turno das eleições por Marina, emplacar compromissos na reta final da campanha ao Planalto seria a principal forma de fortalecer, por ora, o projeto de uma futura candidatura verde em 2014.

Marina saiu forte, mas o Partido Verde cresceu quase nada. Elegeu apenas 15 deputados federais e 37 deputados estaduais, concentrados em São Paulo e no Maranhão. Falta muito para consolidar o PV como partido.

E a participação da legenda no futuro governo, embora não esteja descartada por ora, não é vista como o melhor caminho para preparar o PV para o próximo embate, as eleições municipais de 2012. O eventual preenchimento de cargos é assunto fora da pauta no momento. Se for discutido, será depois das eleições.

Independência. Nesse quadro, é forte o apelo de uma posição independente do partido na reta final da disputa. Desde quando começou a cogitar uma candidatura ao Planalto, em meados do ano passado, a prioridade de Marina sempre foi pautar o debate eleitoral e evitar um plebiscito sobre o desempenho do governo Lula. A prioridade permanece.

A independência, manifestada ontem pelo candidato a vice na chapa, o empresário Guilherme Leal, convém aos planos de longo prazo de Marina e tem o apoio que a candidata costuma chamar de “as forças vivas da sociedade”, gente sem vinculação partidária que se aliou ao projeto.

Essa posição também deverá ser objeto de uma indicação do Movimento Marina Silva, criado independentemente na campanha, mas já com voz na convenção do partido, no dia 17.

O movimento ouviu supostos partidários da candidatura verde sobre a posição no segundo turno. Foram mais de 6 mil manifestações em pouco mais de 24 horas, divididas entre apoiar Serra, Dilma ou nenhum dos dois. Essa divisão aparece também em manifestações de lideranças do PV, que já declararam apoio a um ou a outro candidato, sem esperar pela definição do partido.

A independência no segundo turno pode dar origem ao que aliados de Marina começam a chamar de “terceira via” entre petistas e tucanos. A votação obtida no primeiro turno não basta para consolidar essa alternativa aos projetos liderados por PT e PSDB, mas poderá ser o primeiro passo. Tudo vai depender do comportamento de Marina e dos verdes – não apenas até o dia 31.

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