Para religiosos, tempo é curto para desmentir polêmicas


Líderes evangélicos que se reuniram nesta quarta com Dilma Rousseff (PT) apontaram a “falta de tempo” para controlar o impacto das informações sobre a postura da petista em relação a temas como aborto e casamento gay. Eles contestam a pesquisa Datafolha, para quem as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma que as questões religiosas.

Uma dessas lideranças afirma que as notícias de que a candidata seria favorável ao aborto e à união civil entre homossexuais foram os verdadeiros responsáveis pelo segundo turno. “O fogo estava lá queimando e não percebemos”, lamenta o Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), um dos líderes da Assembleia de Deus, que possui mais de 20 milhões de fiéis em todo o País.

“Achamos que não daria tempo para contaminar o eleitor, mas foi muito rápido. Agora não sei se vai dar tempo de desconstruir tudo isso”, afirma, sobre a questão que se alastrou na internet e nas igrejas, por meio de panfletos e cartazes.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ligado à igreja Sara Nossa Terra no Rio de Janeiro, também teme que o tempo seja curto para desmentir as versões contra petista. Segundo ele, “a verdade” sobre a candidata chega aos fiéis somente pelo testemunho dos líderes religiosos. “O posicionamento dela satisfaz os líderes, mas falta contundência para atingir a base. Não sabemos se dá tempo de chegarmos à base”, receia.

A palavra de ordem agora é correr contra o tempo. Os líderes evangélicos aguardam a carta-compromisso em que a candidata deve se declarar, de forma veemente, contra o aborto e a união civil entre homossexuais. A expectativa é de que o documento tenha impacto igual ou próximo à “Carta ao Povo Brasileiro”, que diluiu dúvidas sobre o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e o ajudou a se eleger em 2002.

“Mas tem que ficar pronto amanhã ou depois, senão não dá tempo de distribuir”, alerta Manoel Ferreira. O objetivo é divulgar a carta nas igrejas de todo o País, durante os cultos, entre os fiéis. Entretanto, não há garantias de que a estratégia surtirá efeito em tempo hábil. Um pastor lembra que uma mentira se espalha rapidamente, enquanto leva tempo até que a verdade prevaleça.

Fonte: Agência Estado

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