Grã-Bretanha anuncia maiores cortes de gastos públicos desde a 2ª Guerra


O governo da Grã-Bretanha anunciou nesta quarta-feira o maior pacote de cortes de gastos públicos do país desde a Segunda Guerra, com o objetivo de combater um déficit público recorde e conter a dívida pública.

BBC

As medidas, anunciadas no Parlamento pelo ministro das Finanças, George Osborne, afetam praticamente todas as áreas do governo.

Os gastos incluem 7 bilhões de libras (cerca de R$ 18,7 bilhões) em cortes em benefícios sociais, o enxugamento de 4% ao ano no financiamento à segurança pública e 8% de cortes no orçamento de Defesa nos próximos cinco anos.

Serão cortados em média 19% dos orçamentos dos departamentos do governo – menos do que os 25% que eram esperados. Os cortes devem provocar o fechamento de 490 mil postos de trabalho no serviço público até 2015.

Nos próximos quatro anos, os cortes de gastos do governo britânico devem chegar a 83 bilhões de libras (cerca de R$ 220 bilhões). Também devem ser elevados impostos para aumentar a arrecadação em 29 bilhões de libras (cerca de R$ 77 bilhões).

A Grã-Bretanha tem hoje o maior déficit público de sua história, de mais de 150 bilhões de libras (cerca de R$ 398 bilhões). Isso equivale a 11% do PIB do país, o mais alto déficit estrutural entre todos os países europeus, segundo Osborne.

Beira da quebra

“Hoje é o dia no qual a Grã-Bretanha saiu da beira da quebra”, afirmou o ministro das Finanças, durante o anúncio dos cortes. “É um caminho difícil, mas que leva a um futuro melhor.”

“O setor público precisa mudar para apoiar as aspirações e as expectativas da população de hoje, em vez das daquela dos anos 1950”, disse Osborne.

O pacote é alvo de polêmica. A oposição acusa o governo conservador de agir ideologicamente, para promover um enxugamento do Estado, e de ameaçar jogar a economia britânica de volta à recessão.

O governo rebate alegando que os cortes são necessários para restaurar a confiança do mercado sobre a solvência do Estado britânico, reduzir as taxas de juros pagas pelos empréstimos tomados pelo poder público e garantir o crescimento futuro da economia.

Em seu discurso, Osborne afirmou que o princípio de “Justiça” é uma das bases que orientam o pacote de cortes de gastos. “Não há nada justo em manter enormes déficits públicos”, afirmou.

Segundo ele, os cortes seguem as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o país precisa acelerar o combate ao déficit público, em posição apoiada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pelo Banco da Inglaterra (o Banco Central britânico).

O ministro afirmou ainda que eles seguem também o princípio de que a maior contribuição para o combate ao déficit deve vir de cortes de gastos, e não de aumentos de impostos.

Segundo ele, os cortes permitirão que o governo reduza seus gastos com os juros da dívida em 1 bilhão de libras em 2012, 1,8 bilhão em 2013 e 3 bilhões em 2014.

Dívida acumulada
Britânico protesta contra pacote de cortes de gastos do governo em frente ao Parlamento

Os anúncios desta quarta-feira eram aguardados desde as eleições britânicas de maio, que resultaram em um governo de coalizão entre o Partido Conservador e o Partido Liberal Democrata.

Os conservadores fizeram campanha com a bandeira de tomar uma “ação urgente” para equilibrar as contas públicas.

Logo após tomar posse, o governo já havia anunciado, como “ação urgente”, cortes de mais de 6 bilhões de libras (cerca de R$ 16 bilhões) já neste ano fiscal.

Na terça-feira, também já haviam sido anunciados cortes de 8% do orçamento de Defesa britânico. Mais de 40 mil postos de trabalho devem ser cortados no Ministério da Defesa e nas Forças Armadas do país.

O governo argumenta que os cortes reduzirão a proporção da dívida pública acumulada em relação ao PIB e deixarão tanto o déficit público como a dívida em níveis menores e mais sustentáveis.

Recessão

O opositor Partido Trabalhista, que deixou o poder em maio após 13 anos no poder, acusa o governo de cortar gastos além do necessário e de maneira muito rápida, o que poderia levar a economia britânica de volta à recessão.

Durante debate no Parlamento antes do anúncio dos cortes, o líder dos trabalhistas, Ed Miliband, acusou o primeiro-ministro, David Cameron, de “fazer uma aposta irresponsável” com o crescimento, empregos e as vidas de uma geração de britânicos.

Cameron admitiu que as perspectivas para a economia britânica são “difíceis”, mas disse que a irresponsabilidade estava nas críticas da oposição.

“A questão para o governo é essa: em uma economia mundial incerta, vocês estão tirando a economia britânica da zona de perigo? Estão fazendo a coisa certa para proteger os interesses de longo prazo sobre os empregos e a vida das pessoas? Isso é o que estamos fazendo”, disse o premiê.

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