Príncipe saudita é condenado à prisão perpétua por assassinato


DA BBC BRASIL

Um príncipe saudita foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de seu empregado em um hotel de luxo em Londres. Bandar Abdulaziz, também saudita, foi encontrado com marcas de agressão e estrangulamento no hotel Landmark, no bairro de Marylebone, no dia 15 de fevereiro deste ano.

Os jurados do caso entenderam que o príncipe Saud bin Abdulaziz bin Nasir al Saud agredia e abusava de seu empregado por satisfação pessoal e cometeu homicídio doloso (com intenção de matar), em um caso onde o elemento sexual ganhou papel importante. Ele terá de passar um mínimo de 20 anos na prisão.

Imagens das câmeras de segurança do hotel mostraram o momento em que o príncipe, sem razão aparente, agride seu funcionário de 34 anos, que apenas tenta se defender.

Durante o julgamento, o príncipe saudita admitiu ter matado o seu empregado, porém afirmou que não teve a intenção de cometer o homicídio.

HOMOSSEXUALIDADE

O príncipe saudita passou boa parte do julgamento tentando provar que não é gay.

A razão disso é que ele pode enfrentar a pena de morte –não pelo assassinato, mas por causa de sua homossexualidade– se algum dia retornar a seu país de origem.

No início do julgamento, o advogado de defesa de Saud, John Kelsey-Fry, argumentou que a questão da sexualidade era irrelevante para o caso e lembrou que atos homossexuais são um “pecado mortal” segundo a lei islâmica.

Já a acusação disse que ele poderia pedir asilo no Reino Unido após cumprir sua pena, argumentando que sua vida estaria em perigo, sendo ele realmente gay ou não.

Segundo o promotor Jonathan Laidlaw, não cabia ao acusado “editar as provas da acusação”.

ENCONTROS COM ACOMPANHANTES

Até o último momento, a defesa tentou impedir que os detalhes mais sórdidos do caso fossem mencionados no tribunal, argumentando inclusive que Saud já estaria enfrentando abusos por parte de fundamentalistas islâmicos presos na penitenciária de Belmarsh junto com ele.

Mas apesar de Kelsey-Fry ter repetido diversas vezes que seu cliente não é gay, diversas testemunhas disseram o contrário.

Um carregador do hotel onde ocorreu o crime, Dobromir Dimitrov, que é homossexual, disse sobre o príncipe e sua vítima, Bandar Adbulaziz: “Eu os descreveria como um casal gay”.

Mas advogado de defesa, em seguida, disse: “Não é aceito que eles eram, de fato, um casal gay, mas eu aceito que o senhor tenha tido a impressão de que eles eram um casal gay”.

Dois acompanhantes, o brasileiro Pablo Uchoa e Louis Szikora, também testemunharam dizendo ter realizado atos sexuais com o príncipe.

Mas Szikora disse que o príncipe era tímido em relação à sua sexualidade e que durante uma “sessão erótica” de duas horas foi necessário “se aproximar” dele antes de chegar à massagem erótica.

“Homens do Oriente Médio não são tão abertos sobre o que eles querem como as pessoas no Ocidente”, disse o acompanhante.

NUDEZ EM FOTOS

Apesar de o príncipe não ter prestado depoimento, durante conversas com a polícia ele insistiu que era heterossexual e que tinha uma namorada na Arábia Saudita.

Mas a acusação disse que isso era mentira: “O fato de o acusado esconder sua homossexualidade poderia, em outras circunstâncias –por causa de sua cultura talvez– ser explicado por vergonha ou até mesmo medo”.

“Mas o fato de o acusado esconder o aspecto sexual de seu abuso em relação à vítima aconteceu, como vamos argumentar, por razões muito mais sinistras.”

Quando foi encontrado no quarto 312 do Landmark Hotel, no centro de Londres, a vítima tinha marcas de mordida nas bochechas. A polícia também achou fotos dele nu no telefone celular do príncipe.

Tudo isso, segundo a Promotoria, sugere que havia um “elemento sexual” no abuso que levou à morte da vítima.

O príncipe, cuja mãe era uma de 50 filhos do falecido Rei Saud, pagava para que seu empregado de 32 anos voasse com ele pelo mundo, se hospedando nos melhores hotéis.

Juntos, em Londres, eles fizeram compras, jantaram nos melhores restaurantes e tomaram champagne e coquetéis em boates da moda.

Eles dividiam a cama, mas o príncipe frequentemente atacava seu empregado de forma violenta. Um dos episódios foi capturado pelo circuito interno de TV do elevador do hotel, três semanas antes da morte de Bandar Abdulaziz.

Nas imagens, a vítima não tenta revidar e, em seguida, segue obedientemente seu chefe.

O professor Gregory Gause, especialista em Arábia Saudita da Universidade de Vermont, disse: “A homossexualidade é considerada algo extremamente vergonhoso na Arábia Saudita e não há reconhecimento público da comunidade homossexual”.

“Continua sendo dentro do armário, mas para jovens sauditas o contato com o sexo oposto é algo extremamente difícil, então pode haver uma tentação de experimentar antes do casamento”, disse Gause.

O especialista disse ainda que cerca de 5.000 príncipes sauditas recebem um salário anual de US$ 200 mil, o equivalente a R$ 336 mil, mas que alguns deles “são incrivelmente ricos”.

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