Erenice admite reunião com consultor que denunciou tráfico de influência


Em depoimento à Polícia Federal, ex-ministra muda versão que vinha sustentando havia um mês e confessa ter atendido na Casa Civil representante da empresa EDRB, que negociava um contrato bilionário com o BNDES para construção de um projeto no Nordeste.

Vannildo Mendes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra recuou na versão que vinha sustentando havia mais de um mês e confessou ontem, em depoimento à Polícia Federal, que se reuniu com o consultor Rubnei Quícoli, representante da empresa EDRB, que negociava um contrato bilionário com o BNDES para construção de um projeto de energia solar no Nordeste.

O contrato era orçado em R$ 9 bilhões e a EDRB teria de pagar ao lobby, supostamente comandado por filhos e assessores da ex-ministra, cinco parcelas de R$ 40 mil mensais e uma taxa de sucesso de 5% do negócio, segundo denúncia publicada pela revista Veja. O empresário contou que os filhos e assessores da então ministra, presumidamente com o conhecimento dela, pressionaram-no a pagar comissão para intermediar o negócio, que acabou não concretizado.

Erenice disse à polícia, conforme seu depoimento obtido pelo Estado, que participou apenas da primeira parte da reunião, “salvo engano entre vinte e trinta minutos”, realizada em novembro de 2009, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funcionava provisoriamente a Presidência. Disse também que o encontro foi para tratar de “aspectos técnicos do projeto”. Mas alegou desconhecer qualquer negociação com o BNDES intermediada por sua pasta.

A informação da ex-ministra contradiz a versão divulgada pela Casa Civil há um mês, segundo a qual a reunião com Quícoli fora feita pelo assessor Vinícius Castro, sem participação de Erenice. Ela e Castro foram afastados dos cargos após a divulgação da denúncia. O lobby da família Guerra seria operado dentro da empresa de consultoria Capital, registrada em nome de Saulo, filho de Erenice, e da mãe de Castro, que vive em Minas e seria usada como laranja.

MTA. No depoimento, ela também confirmou ter se encontrado duas vezes com o empresário Fábio Baracat, representante da empresa de transportes aéreos MTA, que usou os serviços da Capital, comandada por seus filhos Israel e Saulo, para ampliar seus negócios nos Correios. Mas negou ter tratado de negócios.

Erenice depôs por cerca de quatro horas perante o delegado Roberval Vicalvi, encarregado do inquérito. Segundo a PF, ela respondeu a 100 perguntas, negou as acusações e colocou seu sigilo bancário, fiscal e telemático à disposição. Ao final, saiu da PF sem ser indiciada.

Apesar das contradições, o advogado Sebastião Tojal saiu otimista do depoimento. “Foi uma defesa serena, segura e até fácil porque as acusações eram inconsistentes”, disse ele. Isso porque, conforme explicou, nenhum dos denunciantes a acusa diretamente de envolvimento com o tráfico de influência. “O Quícoli, por exemplo, diz que acredita, mas não afirma categoricamente, que ela soubesse do lobby atribuído aos filhos.”

Erenice defendeu-se, mas evitou colocar a mão no fogo pelos filhos, assessores e outros familiares. “Ela respondeu tudo o que lhe diz respeito, mas não falou sobre pontos que desconhece”, afirmou. “O que ela garante, categoricamente, é que jamais autorizou que usassem o nome dela.”



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