Insegurança e baixa educação seguram Brasil em ranking de prosperidade


Para instituto de desenvolvimento sustentável, crescimento econômico ‘não basta’ para gerar felicidade em países emergentes.

BBC

Para relatório, Brasil é tolerante mas tem problemas de segurança

A falta de segurança, a qualidade da educação e a percepção de debilidade institucional impediram que o Brasil melhorasse em um ranking internacional de prosperidade elaborado pelo Instituto Legatum, que promove o desenvolvimento sustentável.

Pela segunda vez consecutiva, o país ficou na posição número 45 entre 110 países e territórios analisados (108 nações mais os territórios de Taiwan e Hong Kong), a mesma colocação do ano passado.

O índice de prosperidade procura medir não apenas o crescimento econômico de um país no sentido material, mas aquele crescimento que se traduz em bem-estar para a população e, no longo prazo, traz a felicidade para os cidadãos.

Para tanto, o cálculo condensa informações em oito subíndices: economia, empreendedorismo, governança, saúde, educação, segurança, liberdade e capital social.

O Brasil aparece como país “mediano” na maioria deles, à exceção do índice de liberdade, onde está no terço superior do grupo de 110 países.

Mas nas áreas de segurança o país fica na posição 76, em educação, 75, e governança, 60.

Apenas dois em cada cinco brasileiros se sentem seguros ao caminhar para casa, colocando o país no número 96 entre os 110 países pesquisados, e mesmo na questão da violência política a colocação brasileira é a 90ª.

Na questão do ensino, o relatório aponta uma “insatisfação com um sistema educacional percebido como baixo em qualidade e escasso em oferta”.

Além disso, a percepção de governança no país permanece “medíocre” e a confiança nas instituições democráticas, “baixa”, nas palavras do relatório. Os níveis de confiança da sociedade em seus próprios cidadãos é uma das mais baixas entre os países analisados.

Material x subjetivo

Noruega, Dinamarca, Finlândia, Austrália e Nova Zelândia lideram o ranking, no qual Zimbábue, Paquistão, República Centro-Africana, Etiópia e Nigéria aparecem em últimos.

Para o instituto, a questão da prosperidade não é simplesmente material, assim como a felicidade não é apenas subjetiva. “Escolha e oportunidades são mais importantes para a felicidade que ganhar dinheiro rapidamente”, exemplifica o relatório.

Um bom exemplo é a parte do documento que analisa os países do chamado grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que têm se destacado como vetores do crescimento econômico internacional.

Para o relatório, “crescimento econômico não é suficiente” para os Bric.

“A China tem se avançado muito nos quesitos de economia, empreendedorismo e oportunidade, governança e capital social. No entanto, a sua melhora tem sido abafada pela perda nas áreas de educação, liberdade pessoal, saúde e segurança”, avalia o documento.

“A Índia regrediu mais de dez posições desde 2009, principalmente devido à sua queda no subíndice de liberdade pessoal. Após os ataques de Mumbai em 2008, a percepção de tolerância dos indianos em relação aos imigrantes tem caído substancialmente, contribuindo para uma queda nos níveis de liberdade pessoal.”

Já Rússia e Brasil pouco mudaram do ano passado para cá, as razões da Rússia sendo a conturbada situação das liberdades pessoais e a liberdade de expressão no país.

Na linha com o senso comum, o estudo afirma que “não é fácil ser próspero em países grandes”.

“Os dez países do mundo com mais de 125 milhões de pessoas têm de lidar com desafios à prosperidade sustentável que são menos significativos em países menores”, diz o relatório.

“Apenas um país neste grupo, os Estados Unidos, estão incluídos entre os dez países com maior índice de prosperidade.”

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