Senador Romeu Tuma morre em São Paulo aos 79 anos


Folha.com
DE SÃO PAULO

O senador Romeu Tuma morreu às 11h desta terça-feira, aos 79 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde o dia 2 de setembro.

Ele passou por uma cirurgia cardíaca no dia 2 de outubro, quando foi colocado um dispositivo de assistência ventricular chamado Berlin Heart –o aparelho é um coração artificial.

O corpo será velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Romeu Tuma começou sua carreira política em 1994, quando foi eleito senador, mas se projetou nacionalmente como policial. Casado com Zilda Dirane, Tuma teve quatro filhos e nove netos.

Nascido na capital paulista em 4 de outubro de 1931, Tuma ingressou na Polícia Civil do Estado em 1951, na função de investigador. Nos anos 60, concluiu o curso de direito na PUC e se tornou delegado em 1967.

A partir de 1969 começou a trabalhar com o delegado Sérgio Paranhos Fleury no Serviço de Inteligência do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), órgão que passou a dirigir em 1975, durante a gestão do coronel Erasmo Dias na Secretaria de Segurança.

Sob o comando de Fleury, atuou no combate às organizações de esquerda e na repressão aos movimentos grevistas. Também colaborava com o SNI (Serviço Nacional de Informações).

Em 1980, quando Lula e outros sindicalistas do ABC ficaram presos no Dops após intervenção federal no sindicato, o atual presidente declarou que foi bem tratado pelo seu carcereiro.

Em novembro de 1982, depois que o PMDB venceu a eleição para o governo de São Paulo, o então governador, José Maria Marin (PDS), ordenou a Tuma que levasse os arquivos do Dops paulista para a Polícia Federal, para evitar que a oposição tivesse acesso aos documentos.

Em março de 1983, com a posse de Franco Montoro (PMDB) como governador, o Dops foi extinto e Tuma foi transferido para a PF, no cargo de superintendente regional de São Paulo. Em junho de 1985, ficou conhecido pela identificação da ossada do criminoso de guerra nazista Josef Mengele.

Em janeiro de 1986, já no governo do ex-pedessista José Sarney (PMDB), foi nomeado diretor-geral da PF pelo então ministro da Justiça, Fernando Lyra (PMDB), que no mês seguinte foi substituído por Paulo Brossard.

Na PF, Tuma atuou no combate às remarcações de preços praticadas por donos de supermercados durante o Plano Cruzado, em fevereiro.

Mas não tardou a entrar em conflito com o novo ministro da Justiça, que em 1987 o culpou pela morosidade na apuração dos inquéritos. Brossard, porém, não teve força política para demiti-lo.

Em dezembro de 1989, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, a polícia paulista resgatou o empresário Abílio Diniz, que permaneceu em poder de sequestradores chilenos por um mês. Após a libertação do empresário, os sequestradores foram apresentados à imprensa vestindo camisetas do PT. Lula perdeu a eleição para Fernando Collor (PRN).

Mais tarde, comprovou-se que a vinculação dos sequestradores ao PT foi forjada durante a operação policial para prejudicar Lula.

Tuma foi encarregado das investigações sobre o sequestro e defendeu que os acusados fossem tratados como criminosos comuns, e não como prisioneiros políticos, porque tinham ligações políticas somente com o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) chileno.

Após a eleição de Collor, foi convidado para acumular a direção da Polícia Federal com a direção da Receita Federal. Mas perdeu força após a queda da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, e pediu demissão em maio de 1991. Com o afastamento e posterior renúncia de Collor em 1992, o novo ministro da Justiça, Mauricio Correa, afastou o diretor da PF em outubro daquele ano.

Tuma retornou então à Polícia Civil de São Paulo e foi nomeado assessor do então governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB). Em 1994, concorreu a uma vaga no Senado pelo PL (Partido Liberal). Ficou com a segunda vaga no Senado, à frente de Luiza Erundina (PT).

Em 1997 transferiu-se para o PFL. No ano seguinte sofreu um infarto e colocou quatro pontes de safena. A partir daí, os rumores sobre sua saúde tornaram-se frequentes.

Em 2000, disputou a Prefeitura de São Paulo pelo PFL, mas ficou apenas em quarto lugar. Dois anos depois, porém, conseguiu se reeleger, ficando novamente em segundo lugar, à frente de Orestes Quércia (PMDB).

Após a reeleição de Lula em 2006, deixou o partido se transferiu para o PTB, que integrava a base aliada.

Neste ano, disputou novamente uma vaga ao Senado ficando em quinto lugar com 10,79% (3.970.169 de votos).

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