Cresce número de casais chefiados por mulheres no país, diz Ipea


Mesmo consideradas chefes, mulheres ganham menos do que maridos.
Entre 2001 e 2009, famílias chefiadas por elas passaram de 27% a 35%.

Do G1, em São Paulo

A chefia feminina nos lares brasileiros vem crescendo significativamente nos últimos anos, mas um tipo em particular chama atenção: os casais, com os sem filhos. A observação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulga nesta quinta-feira (11) o comunicado “PNAD 2009 – Primeiras análises: Investigando a chefia feminina de família”.

De acordo com os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre 2001 e 2009, o percentual de famílias chefiadas por mulheres no Brasil subiu de aproximadamente 27% para 35%, o que representa 21.933.180 famílias que identificaram como principal responsável uma mulher em 2009.

Desse total, o arranjo de casais com os sem filhos com a pessoa de referência do sexo feminino passou de 8,8% em 2001 para 26,1% em 2009. Segundo o Ipea, a introdução do conceito de “pessoa de referência” em substituição ao de “chefe do domicílio” foi “um salto importante, pois a noção de chefia, pela matriz cultural dominante, poderia ser mais facilmente atribuída à figura masculina do domicílio, marido ou pai”.

“O fato de uma mulher ser identificada como principal responsável num contexto em que é a única pessoa adulta da unidade familiar ou a única pessoa adulta não-idosa, por exemplo, dificilmente pode ser lido como sinal de transformação das convenções sociais ou de empoderamento feminino. Já o fato de uma mulher ser reconhecida como responsável pela família na presença de um cônjuge do sexo masculino pode ser considerado novo na sociedade brasileira”, afirma o comunicado.

Elas ganham menos
Em 2009, 14,2% dos casais com ou sem filhos eram chefiados por mulheres. Na análise do Ipea, independentemente do arranjo familiar, mulheres têm mais escolaridade, homens ganham mais e têm melhor posição no mercado de trabalho. “Além de a remuneração masculina ser, na média, superior à feminina, há a presença de uma companheira que, muitas vezes, aporta renda para o domicílio na condição de coprovedora, e que é, ainda, responsável por grande parte do trabalho de reprodução do grupo doméstico”, diz o Ipea.

A renda média do trabalho principal das mulheres chefes em arranjos de casais sem filhos, apesar de ser a maior verificada entre as mulheres nos diferentes arranjos familiares, representa cerca de 80% da renda dos homens cônjuges nas mesmas famílias (R$ 1.039,93 contra R$ 1.303,03). No caso dos casais com filhos, a renda das mulheres chefes representava 73% da renda média de seus maridos.

No arranjo mais comum, o de casal com filhos, a renda média do trabalho principal dos dois integrantes do casal nas famílias chefiadas por mulheres chega a R$ 2.328,98 e nas famílias chefiadas por homens, R$ 2.027,88.

Nas famílias formadas por casais com seus filhos, a média de anos de estudo das mulheres chefes era de 8,3 anos, enquanto seus companheiros alcançaram 7,5 anos. Os homens chefes no mesmo tipo de família tinham 7 anos de escolaridade em 2009, enquanto as mulheres cônjuges apresentavam a média de 7,6 anos. Ou seja, independentemente da posição na família, as mulheres têm mais escolaridade, na média, que os homens, e as responsáveis por famílias de casais com filhos apresentam a mais alta escolaridade.

As mulheres identificadas como chefes quando têm cônjuge, acabam assumindo de maneira mais aguda a jornada dupla de trabalho. Elas trabalham no mercado e aportam renda para a casa, mas também dedicam muito tempo aos cuidados com a casa e com os filhos. O resultado são jornadas totais de trabalho de 66,8 horas por semana, em média.

Mulheres sem cônjuge
Com base nos dados do PNAD, o Ipea diz que, nos últimos anos, perde cada vez mais importância o tipo de família “mulher sem cônjuge com filhos”. No total de famílias, houve um ligeiro declínio entre 2001 e 2009, de 17,8 % para 17,3%, mas, considerando somente o universo das famílias chefiadas por mulheres, o percentual passou de 65,1% para 49,3% no período.

Enquanto a renda média do trabalho principal das mulheres chefes de famílias com cônjuge e com filhos era de R$ 958,21 em 2009, a das mulheres sem cônjuge com filhos não passou de R$ 763,68 – o equivalente a 66% do que ganhavam os homens na mesma situação.

A idade média das mulheres na posição de chefes é ligeiramente superior à dos
homens na mesma posição: 48,5 anos contra 46. Nas famílias de mulheres sem cônjuge e com filhos, a média é de 47 anos.

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