Acidente no Estaleiro Atlântico Sul mata soldador de 26 anos


Uma chapa metálica de mais de uma tonelada cai por cima do ajudante industrial Lielson Ernesto da Silva. Sindicato dos Metalúrgicos de PE afirma que houve negligência. Empresa determinou rigorosa investisgação.

WILSON FIRMO

O lado perverso do desenvolvimento crescente no Complexo Portuário e Industrial de Suape fez uma vítima fatal na semana que passou. O ajudante industrial do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), Lielson Ernesto da Silva, de 26 anos, sofreu um acidente grave na última segunda-feira, 20, por volta das 16h30, que lhe custou a vida. Ele era morador da Rua Aníbal Cardoso, 15, no bairro de São Francisco, no Cabo de Santo Agostinho.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Lielson teria sido atingido por uma placa metálica de mais de uma tonelada. Na nota do EAS, onde atuam mais de 2 mil funcionários, informa-se que o operário trabalhava na montagem de blocos para construção do casco da plataforma P-55, quando ocorreu o acidente.


Lielson Ernesto chegou a ser socorrido e levado de helicóptero até o hospital da Unimed, na Ilha do Leite, no Recife, chegando ainda com vida, segundo a nota, por volta das 18h, falecendo por parada cardíaca.

A reportagem do Tribuna Popular teve acesso, com exclusividade, à certidão de óbito de número 95.024, que dá como causa da morte “hemorragia interna do tronco por trauma fechado”. O documento é assinado pelo médico Ricardo César, do IML (Instituto Médico Legal).

Detalhes do que realmente teria ocorrido estão sendo investigados, e segundo o EAS, está sendo dada toda assistência à família do jovem e foi determinada rigorosa investigação sobre as causas do trágico acidente.

“Um filho tão bom”

Lielson Ernesto era o filho caçula da família de seu Laércio Ernesto, 60, e dona Mersulan Gomes da Silva, 58. O casal tem mais três filhos, de idades 25, 27 e 31 anos.

Durante o velório do operário, realizado na casa onde morava, no bairro de São Francisco, na terça, 21, dezenas de amigos, vizinhos e familiares prestaram últimas homenagens a Lielson.

A mãe, evangélica da Igreja Assembleia de Deus do bairro de Rosário, estava inconsolável. A todo instante beijava a face do filho no caixão. “Meu filho era tão bom, um menino querido, tão amável. Não vá, fique aqui com a mamãe”, falava aos prantos. Num dos momentos de comoção, dona Mersulan despejou todo o perfume preferido do filho sobre o corpo repousante.
Nos olhares dos parentes e dezenas de companheiros de trabalho, o sentimento de dor e também de revolta.

Fatalidade ou negligência?
Funcionários do EAS, que trabalhavam diretamente com Lielson e que pediram para não ser identificados, afirmaram que apesar dos vários equipamentos de segurança existentes no galpão do Estaleiro, os “chefes fazem pressão para nós acelerarmos a produção e com isso a gente fica muito vulnerável aos acidentes”, disse um deles, que fez o curso de reforço de escolaridade junto com Lielson.

Alguns outros funcionários chegaram a afirmar que a morte de Lielson não teria sido a primeira, mas uma sequência de outros acidentes fatais.

Já o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Enoque Amâncio Ferreira Neto, assegurou que a morte de Lielson Ernesto foi resultado de uma série de negligências do Estaleiro.

“O trabalho que o rapaz estava fazendo era para ter sido supervisionado por técnicos da empresa. Ele estava sozinho na hora do acidente”, afirmou o sindicalista à reportagem do TP, acrescentando que uma equipe do sindicato estaria sendo barrada por técnicos da Delegacia Regional do Trabalho, que “tentavam impedir o acesso de nossa equipe até o local do acidente”.

Ninguém da diretoria do Estaleiro quis comentar às supostas denúncias, limitando-se à entrega de uma nota à imprensa, reafirmando a implantação de investigação rigorosa.

Antes do fechamento da tampa do caixão, houve uma breve reflexão de um pastor e o cortejo foi seguido por uma multidão, em silêncio, pelas ruas centrais do Cabo, até o cemitério São José.

Uma demorada salva de palmas foi o gesto final de homenagens dos amigos, companheiros de trabalho e parentes do jovem trabalhador de 26 anos, cheio de sonhos e esperanças que perdeu a vida em pleno exercício de sua profissão de forma trágica, como afirma nota da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE).

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